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10° Congresso Internacional da Rede Unida: Equipe CIEVS/CVE – SMSDC-RJ recebe Prêmio Paulo Sabroza com trabalho acerca da investigação de Surto de DDA em navio de cruzeiro

19 mai

No último dia 08, o trabalho apresentado pela Equipe composta por membros da Coordenação de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), juntamente com membros da Coordenação de Vigilância Epidemiológica (CVE), da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC-RJ), foi condecorado com o 1º lugar no Prêmio Paulo Sabroza. A premiação ocorreu durante a I Mostra de Experiências de Vigilância em Saúde da Cidade do Rio de Janeiro, concomitante ao 10º Congresso Internacional da Rede Unida.

O trabalho, intitulado Investigação epidemiológica de surto de Doença Diarréica Aguda em Navio de Cruzeiro com passagem pelo município do Rio de Janeiro, Novembro de 2001, teve os seguintes autores:

Luciana de Almeida Pinto (CIEVS)

Carolina Monteiro da Costa (CIEVS)

Bárbara Nicacio Bahia (CIEVS/CVE)

Juliana Dias Vieira (CIEVS/CVE)

Márcia Sandre Coelho (CVE)

André Luis da Silva (CIEVS)

Maria Margarida Lima de Sousa (CVE)

Itacirema de Oliveira Bezerra (CVE)

Carla Côrte Real do Nascimento Magarão (CIEVS)

Débora Medeiros de Oliveira e Cruz (CIEVS)

Vale destacar que a apreciação dos trabalhos contou com uma junta de avaliadores, composta por diversos profissionais com experiência no cenário da vigilância em saúde, dentre os quais: Betina Durovni (SMSDC), Greice do Carmo (OPAS), Jean Barrado (SMSDC), Maria Cristina Lemos (SMSDC), Mauro El Khoury (FUNASA), Paulo Sabroza (FIOCRUZ), Valéria Saraceni (SMSDC), e Wildo Araújo (MS).

Em sua primeira edição, a Mostra teve por objetivo divulgar o trabalho e as experiências bem sucedidas no âmbito da vigilância, prevenção e controle das doenças e agravos na Cidade do Rio de Janeiro. Frente a isto, o evento configurou-se em uma oportunidade ímpar de ampliar a visibilidade das ações em curso no município, mediante a troca de experiências em saúde em suas múltiplas faces.

O Prêmio Paulo Sabroza é uma homenagem da Associação Brasileira da Rede Unida pela luta, dedicação e significativas contribuições no processo de mudança na formação dos profissionais de saúde e fortalecimento do Sistema Único de Saúde, a todos àqueles que participaram e participam da construção do movimento da Rede Unida, ao longo desses 25 anos.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

HFMD acomete população infantil asiática: somente no Vietnã foram registrados mais de 28 mil casos

11 mai

Embora seja uma doença tipicamente não letal, a HFMD (do inglês, “Hand, Foot and Mouth Disease” – Doença de Mão, Pé e Boca) tem se mostrado um dos principais problemas de saúde pública na Ásia. Somente no Vietnã, foram registrados mais de 28 mil casos, incluindo 18 óbitos, neste ano, segundo dados da Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV). No ano passado, configurou-se um verdadeiro surto em larga escala no país, onde mais de 100 mil pessoas ficaram doentes e 200 crianças morreram em decorrência da doença. Além disso, estima-se que 80% dos óbitos registrados na última década no Vietnã ocorreram em crianças menores de 3 anos.

A doença consiste em uma síndrome causada por vírus intestinais da família Picornaviridae. Dentre os enterovírus não-pólio (Coxsackievirus A, Coxsackievirus B, Echovirus e Enterovirus 68 a 72), os vírus Coxsackie A e Enterovirus 71 (EV-71) são os principais agentes etiológicos da doença. A transmissão ocorre a partir do contato com secreções nasais, saliva, fezes e secreções vesiculares de um indivíduo contaminado. A HFMD é bastante comum em crianças menores de 5 anos, sendo frequentes surtos em pré-escolas e jardins de infância.

Estima-se que 50 a 80% das infecções sejam assintomáticas. Porém, quando presentes, os sintomas caracterizam-se por febre; dor de cabeça; garganta inflamada; perda de apetite; mal-estar; vômitos; diarreia; dificuldade de deglutição; irritabilidade em neonatos; úlceras na boca, garganta e língua; além de erupções com vesículas (pequenas bolhas medindo de 3 a 7 mm) nas mãos, pés e nádegas. As vesículas aparecem, geralmente, na palma das mãos e planta dos pés, sendo características peculiares da doença. Em geral, os sintomas são brandos e a cura ocorre no prazo de 5 a 7 dias. O período de incubação dura em torno de 3 a 7 dias.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cepa EV-71tem sido descrita nas formas mais graves da doença, nos últimos anos. Diante destas circunstâncias, as complicações podem estar associadas à encefalite, meningoencefalite, paralisia flácida aguda, edema agudo de pulmão, hemorragia pulmonar e miocardite.

Atualmente, não há tratamento específico disponível para a infecção. O tratamento implementado consiste apenas em proporcionar alívio imediato da febre e das dores através de analgésicos, anti-térmicos e anti-sépticos bucais. De acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) norte-americano, algumas medidas preventivas são capazes de reduzir sobremaneira o risco de infecção, tais como:

  • Lavagem frequente e adequada das mãos com água e sabão, especialmente depois de trocar fraldas e usar o banheiro. (Saiba mais em “Lavagem das mãos: mãos limpas salvam vidas”, acessando http://www.cdc.gov/handwashing/)
  • Desinfecção de superfícies sujas, sobretudo de brinquedo, lavando primeiro com água e sabão e, posteriormente, desinfectando em solução de cloro (mistura de 1 colher de sopa de água sanitária com 4 xícadas de água).
  • Evitar contato íntimo através de beijos, abraços ou compartilhamento de talheres, brinquedos e demais utensílios domésticos.

Casos individuais da doença ocorrem no mundo todo, sendo mais frequentes no verão e no início do outono. Na semana passada, pelo menos 1.394 casos de HFMD foram registrados em Singapura, o que representa um aumento recorde de 19% em relação à semana anterior. De acordo com o Ministério da Saúde, foram notificados 13.289 casos da doença este ano, a maioria crianças inseridas em creches e pré-escolas. Já no sul da China, mais de 11 mil casos, incluindo quatro óbitos, foram descritos na província de Guangxi, o que significa um aumento de 38% em relação ao mesmo período do ano passado.

Embora alguns surtos tenham sido descritos no Brasil ao longo da última década, como o que ocorreu em julho de 2003 em uma creche na cidade de São Paulo, a vigilância das enteroviroses no país ainda é muito insipiente. Em 2002, um estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, em Belém do Pará, revelou que 40,8% dos indivíduos tratados no serviço de virologia do instituto tinham marcadores sorológicos indicativos de infecção por enterovírus 71. Por outro lado, verificou-se que 85,2% dos indivíduos menores de 3 anos não possuiam anticorpos contra o vírus e 69,2% dos indivíduos soropositivos estavam inseridos na faixa etária de 12 a 15 anos, o que sinaliza para a necessidade de atenção à doença também no período da adolescência.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO!

A luta contra o Sarampo ao redor do mundo – Parte II

6 mai

Na semana passada, uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet revelou um panorama da luta contra o Sarampo nos últimos dez anos. Apesar dos esforços internacionais para reduzir o número de mortes pela doença, na última década, não foram atingidas as metas previstas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Embora a taxa de mortalidade tenha sofrido uma queda de 74%, esta ficou muito à quem da redução de 90% preconizada pela OMS para o período de 2000 a 2010. Em 2000, foram registradas 535 mil mortes por Sarampo, número que caiu para 139 mil em 2010. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mesmo após todos os esforços para combater o Sarampo, 382 pessoas ainda morrem por dia vítimas da doença.

Por outro lado, tal redução foi alcançada graças à eficácia das campanhas de vacinação, mesmo nas áreas mais pobres e remotas. Atualmente, o principal desafio das políticas públicas de saúde é ampliar a cobertura vacinal da população, principalmente nos países subdesenvolvidos.  Na última década, 79% das mortes por Sarampo ocorreram em países africanos e na Índia.

No Brasil, a doença está sob controle desde o ano 2000, quando o último caso autóctone foi detectado no Mato Grosso do Sul. O país lançou seu programa de eliminação do Sarampo em 1992 e registrou a última epidemia entre 1996 e 1997. O Brasil foi o primeiro país nas Américas a entregar um relatório para certificação da eliminação da doença, no ano passado. Em 2010, dezenas de casos foram notificados nos estados da Paraíba, Rio Grande do Sul e Pará, no entanto, todos sendo importados da África do Sul e da Europa, segundo dados do Ministério da Saúde.

Atualmente, grande parte das discussões acerca da doença tem colocado em foco à Saúde do Viajante, as quais vêm sendo intensificadas com a proximidade de diversos eventos de massa. Em relação ao Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) recomenda aos viajantes que tomem a vacina contra o Sarampo antes de embarcar, sobretudo, para àqueles que têm como destino a Europa e os Estados Unidos. Isto porque no ano passado foram registrados mais de 26 mil casos da doença no “Velho Continente”, principalmente na França e na Espanha, além de surtos em diversos estados norte-americanos.

A vacina é gratuita nos postos de saúde e deve ser tomada até 15 dias antes da viagem. De acordo com o Calendário Básico de Imunização, as crianças devem tomar a primeira dose aos 12 meses de vida e um reforço na faixa etária de 4 a 6 anos. Já os adultos que nunca tiveram a doença devem se vacinar. Todavia, a vacina é contra-indicada a gestantes. De fato, a prevenção ainda é a melhor forma de reduzir a mortalidade. Para os próximos anos, a nova meta pactuada pela OMS é reduzir a taxa de mortalidade da doença no ano 2000 em 95% até 2015.

Por outro lado, no final do mês passado, uma importante descoberta causou grande repercussão entre os virologistas. Cientistas da Universidade de Bonn (na Alemanha) identificaram, em morcegos, 66 novos sorotipos virais membros da família Paramixoviridae, a qual também faz parte os vírus do Sarampo e da Caxumba.

Logo, a descoberta de sorotipos virais com forte parentesco com as espécies relacionadas a doenças que afetam os seres humanos deixou em alerta os especialistas em virologia. Além disso, o risco de exposição da população aos morcegos tem aumentado consideravelmente nas últimas décadas, a medida que cada vez mais estes mamíferos perdem espaço nas florestas, sendo empurrados para as áreas urbanizadas. No entanto, ainda não se sabe se os sorotipos virais recém-descobertos representam uma ameaça ou podem ser transmitidos aos humanos.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

A luta contra o Sarampo ao redor do mundo – Parte I

28 abr

Nos últimos meses, pelo menos 177 crianças morreram e 4.000 ficaram doentes em consequência do Sarampo no Iêmen, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). De fato, a população infantil local se encontra em condições de vulnerabilidade extrema, à medida que uma em cada cinco crianças sofre de desnutrição aguda no país, e quase 60% são raquíticas. Paralelamente, o deslocamento contínuo de diversos grupamentos populacionais no país, saturados com a escassez das condições do meio, facilita cada vez mais a dispersão da doença.

Todavia, a luta contra o Sarampo não é apenas um desafio exclusivo aos países subdesenvolvidos. Desde 2008, mais de 22.000 casos da doença foram registrados na França, sendo 15.000 somente nos 11 primeiros meses de 2011, incluindo 06 que foram a óbito. A França é o país que concentra o maior número de casos da doença, diante da epidemia que assola o “Velho Continente”.

Ao lado, na vizinha Espanha, mais de 30.000 casos de Sarampo foram registrados no ano passado. Somente na capital Madrid, o número de casos aumentou 20 vezes nos últimos dois anos, segundo as autoridades sanitárias locais. O nível de contágio observado no ano passado na Europa só fica atrás do registrado no mesmo período na República Democrática do Congo (RDC), onde foram notificados mais de 100 mil casos. No entanto, os casos europeus superam amplamente os 15 mil detectados na Nigéria e Somália.

O Sarampo ainda é uma das principais causas de morbimortalidade entre crianças menores de 5 anos, sobretudo as desnutridas e as que vivem nos países em desenvolvimento. Trata-se de uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa. A doença é causada por um vírus pertencente ao gênero Mobilivírus, da família Paramyxoviridae e a transmissão acontece de pessoa para pessoa, através das secreções do nariz e da boca, ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

O período de incubação dura em torno de 10 dias (variando de 7 a 18). Em seguida, começam a aparecer os principais sintomas, como pequenas erupções na pele (exantema) de cor avermelhada, febre alta (acima de 38,5°C), dor de cabeça, mal-estar e inflamação das vias respiratórias, com presença de catarro. Uma vez instalados os sintomas, faz-se necessário o diagnóstico diferencial com outras doenças exantemáticas febris agudas, como por exemplo, Dengue, Rubéola e Eritrema Infeccioso por Parvovírus B19. A persistência da febre, por mais de três dias, após o aparecimento do exantema, representa um sinal de alerta, sendo indicativo de complicações. As complicações mais comuns são: infecções respiratórias; otites; doenças diarreicas; e, neurológicas.

Diante deste fato, a saúde do viajante passou a ser o principal alvo de preocupação por parte das autoridades de saúde em diversos países europeus. Na Ucrânia, anfitriã da Eurocopa 2012 (Torneio de Futebol tradicional no continente) juntamente com a Polônia, um alerta foi emitido aos viajantes que pretendem ingressar no país, frente à imprescindível necessidade de vacinação contra o Sarampo. Desde o ano passado, o país vem lutando contra a doença que, somente neste ano, já infectou mais de cinco mil pessoas. No ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) assinalou que a propagação da doença tem graves consequências para a economia e para a saúde pública. A entidade pediu aos países europeus que previnam novos surtos de Sarampo em 2012 com campanhas de vacinação que atinjam adultos e adolescentes, tendo em vista que, na atual epidemia que assola o continente europeu, sete em cada dez infectados têm mais de 10 anos.

Nesta mesma perspectiva, o Ministério das Relações Exteriores da França, assim como o Ministério da Cooperação e Negócios Estrangeiros da Espanha, emitiram um comunicado em suas páginas na internet reforçando a necessidade de proteção contra o Sarampo por parte dos turistas que pretendem visitar os países de maior incidência. A rigorosa vigilância dos casos de Sarampo durante os eventos de massa passou a ser alvo de discussão no âmbito das políticas de saúde na Europa.

De volta ao Iêmen, grandes esforço estão sendo perpetrados no sentido de reduzir a propagação da doença, sobretudo, mediante ajuda internacional. Na última semana, a OMS anunciou uma campanha de vacinação contra o Sarampo, a qual também pretende contemplar a vacinação contra a Poliomielite e o fornecimento de suplementos de vitamina A para a população infantil. A meta é atingir 8 milhões de crianças em todo o país.

A OMS ressalta que controlar a propagação da doença tem um custo elevado, lembrando o exemplo do caso de uma pessoa que viajou em 2008 da Suíça aos Estados Unidos e desencadeou a infecção de sete pessoas no Arizona. A situação demandou a utilização de serviços em dois hospitais e as medidas de contenção tomadas custaram mais de 800 mil dólares – soma suficiente para comprar 2,5 milhões de doses de vacinas para países em desenvolvimento.

 Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO.

Surto de Caxumba acomete a população juvenil no nordeste da Espanha

21 abr

Desde dezembro do ano passado, um surto de Caxumba vem afligindo os habitantes de Girona, uma província localizada no nordeste da Espanha. Embora seja uma doença comum entre crianças, o que chama atenção é a faixa etária acometida, constituída por jovens com idade entre 16 e 18 anos, os quais representam mais de 50% dos 106 casos registrados. A despeito da disponibilidade, já há alguns anos, de uma vacina eficaz e gratuita contra a doença, a ocorrência do surto na Espanha tem causado grande repercussão no “Velho Continente”.

Na tentativa de entender um pouco mais o que está acontecendo, torna-se oportuno discutir alguns aspectos importantes acerca da doença. A Caxumba, assim como as demais “Doenças comuns na infância”, ainda representa um dos principais problemas de saúde pública que afetam a população mundial, sendo responsável por grande parte dos absenteísmos na escola e no trabalho.

Trata-se de uma doença viral, caracterizada principalmente por febre e aumento de volume de uma ou mais glândulas salivares (geralmente as Parótidas, por isso chamada de “Parotidite infecciosa”) e, às vezes, glândulas sublinguais ou submandibulares. Como característica peculiar da doença, este aumento das glândulas salivares próximas aos ouvidos faz com que o rosto fique inchado.

É causada por um vírus da família Paramyxoviridae, a mesma a que pertence o vírus do Sarampo, fato que evidencia um importante parentesco entre estes dois tipos virais. Altamente contagiosa, a Caxumba é transmitida por contato direto com gotículas de saliva ou perdigotos de pessoas infectadas, apresentando um período de incubação de duas a três semanas. Comumente, verifica-se um aumento na incidência da doença principalmente no inverno e na primavera, período em que os indivíduos permanecem mais tempo aglomerados. Ocorrem usualmente sob a forma de surtos, sobretudo, atingindo crianças institucionalizadas em creches e escolas.

Seus primeiros sintomas caracterizam-se por febre, calafrios, dores de cabeça, musculares e ao mastigar ou engolir, além de fraqueza. Nos casos graves, pode haver meningite, quase sempre sem seqüelas. Quando presentes, as principais seqüelas são a esterilidade e a diminuição da capacidade auditiva. Estima-se que, na ausência de imunização, 85% dos adultos desenvolvem a doença e que um terço dos infectados permanecem assintomáticos. Todavia, a doença tende a ser mais severa em adultos.

Após a puberdade, a doença pode causar inflamação e inchaço doloroso dos testículos (orquite) nos homens (20 a 30% das infecções em homens adultos), ou dos ovários (ooforite) nas mulheres (5% dos casos em mulheres adultas), podendo levar à esterilidade. Por isso, faz-se necessário redobrar a atenção e vigilância da doença, sobretudo, nas formas graves. De fato, a vacinação ainda é a melhor maneira de prevenir a doença.

Atualmente, a vacina disponível nos serviços de saúde é a Tríplice Viral ou MMR (termo que faz alusão às iniciais “Measles”, “Mumps” e “Rubella”, do inglês, que significam Sarampo, Caxumba e Rubéola, respectivamente). De acordo com o Ministério da Saúde, através do Calendário Básico de Imunização em vigor no Brasil, a vacina é recomendada aos 12 meses de idade, incluindo um reforço na faixa etária de 4 a 6 anos. Na faixa etária de 11 a 19 anos, são preconizadas duas doses da vacina, enquanto que na faixa etária de 20 a 59, é recomendada apenas uma única dose. Em casos de surto, a vacinação de bloqueio deve atender às recomendações dos serviços de vigilância locais, sendo destinada exclusivamente para os indivíduos que mantiveram contato direto com pessoas doentes.

Em 2007, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (SES-SP) anunciou a descoberta de um novo sorotipo viral da Caxumba, inédito no mundo. Através de um estudo realizado pelo Instituto Adolfo Lutz, a nova variante foi detectada por intermédio de 14 amostras biológicas procedentes dos municípios de Atibaia, São Paulo, Jundiaí e Campinas e, coletadas no período de dezembro de 2006 a maio de 2007.

Após o isolamento em cultura celular e identificação por anticorpos monoclonais específicos, o estudo molecular comprovou tratar-se de uma variante nunca antes descrita na literatura. A descoberta foi prontamente informada ao Ministério da Saúde e, posteriormente à Organização Mundial de Saúde, uma vez que sinaliza para a relevância da nova cepa frente o sucesso das estratégias de imunização.

Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO.

Febre de Lassa mata aproximadamente 3.000 pessoas anualmente na Nigéria

15 abr

Integrantes da Associação de Controle de Pragas da Nigéria afirmaram, durante a Conferência Nacional para Controle de Roedores, que a Febre de Lassa mata cerca de 3.000 pessoas anualmente no país. No entanto, os impactos deste agravo na população africana ultrapassam as fronteiras nigerianas. A Febre de Lassa é uma doença hemorrágica viral de caráter considerado “devastador”, sendo um dos principais problemas de saúde pública presentes na África Ocidental.

Trata-se de uma infecção viral aguda causada pelo vírus de Lassa, um tipo de Arena vírus, o qual foi descrito pela primeira vez em 1969, na cidade de Lassa, na Nigéria. Embora apresente uma prevalência elevada em diversos países africanos, as ações voltadas para a prevenção e controle da doença esbarram na falta de infra-estrutura básica e na fragilidade das políticas públicas de saúde implementadas nos países endêmicos, tais como: Serra Leoa, Congo, República Democrática do Congo, Libéria e Nigéria.

Estima-se que ocorram de 300 mil a 500 mil casos por ano na África, com uma taxa de mortalidade de 15% a 20% entre os indivíduos hospitalizados, a qual pode chegar a 50% durante os períodos epidêmicos. Além disso, é estimada uma mortalidade de 90% entre gestantes no terceiro trimestre, tanto para a mulher, quanto para o feto.

Estudos realizados nas décadas de 70 e 80 apontaram a existência de três áreas endêmicas na Nigéria: a região nordeste em torno da cidade de Lassa, onde a doença foi inicialmente descrita; a região central do país, em torno da cidade de Jos e; a região sul, nos arredores de Onitsha. Atualmente, não se dispõe de informações acerca da situação epidemiológica da doença, tendo em vista a inexistência de um sistema de vigilância específico.

O hospedeiro do vírus é um roedor da espécie Mastomys natalensis, bastante comum no continente africano, o qual foi encontrado infectado por vírus Lassa, pela primeira vez, em Serra Leoa e na Nigéria em 1972, e mais recentemente na Guiné, em 2009. Estes roedores apresentam o hábito de se reproduzir no ambiente doméstico durante a estação de seca, e se dispersarem nos campos em períodos chuvosos, sobretudo, em áreas de cultivo nos dias que antecedem as colheita. Neste sentido, a precipitação parece ser um fator ecológico importante, uma vez que estudos longitudinais recentes demonstraram a infecção de roedores por vírus de Lassa duas a três vezes mais prevalente nos períodos chuvosos, em comparação as estações secas.

A doença é transmitida aos seres humanos através do contato com água ou alimentos contaminados pela urina ou excrementos destes roedores. Os primeiros sintomas ocorrem normalmente de 1 a 3 semanas após a exposição ao vírus, e podem incluir febre, cada vez mais alta, dor na garganta, tosse, inflamação dos olhos (conjuntivite), dor retroesternal acompanhada por edema no local, dores abdominais, dores musculares generalizadas, vômitos, diarréia e fraqueza, os quais podem perdurar por vários dias. Quadros clínicos mais graves caracterizam-se por sintomas neurológicos, os quais compreendem a perda progressiva da audição, tremores e encefalite (inflamação no cérebro). A longo prazo, a principal complicação da Febre de Lassa é a surdez. Assim como a maioria das viroses febris agudas, apresenta sintomas variados e inespecíficos, os quais dificultam o estabelecimento do diagnóstico.

Embora não exista uma terapêutica medicamentosa comprovadamente eficaz contra a Febre de Lassa, o uso empírico da droga antiviral Ribavirina tem se mostrado capaz de reduzir em até 55% a letalidade da doença, desde que administrada nos primeiros 06 dias após o início dos sintomas. Até o momento, não existe vacina eficaz contra a doença.

Em geral, a Febre de Lassa é uma doença considerada de difícil controle na região, em virtude da existencia de condições propícias a proliferação dos roedores transmissores do vírus. Nas áreas endêmicas, são encontradas populações em situação de extrema pobreza, a mercê de políticas públicas de saúde, na maioria das vezes, nada resolutivas. Tais populações encontram-se fragilizadas por carências nutricionais, de higiene e saneamento básico, o que as tornam vulneráveis frente a doença.

Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO.

Alerta para Síndrome de Nodding: Doença misteriosa afeta desenvolvimento mental de crianças em Uganda

7 abr

Uma doença misteriosa está afetando o desenvolvimento físico e mental de crianças em Uganda. No norte do país a doença ficou conhecida como Síndrome de Nooding, um termo oriundo da língua inglesa que faz alusão ao movimento para cima e para baixo que é feito com a cabeça quando concordamos com algo.

Dentre os principais sintomas apresentados pelas crianças atingidas pela doença, estão convulsões freqüentes, problemas de fala e falta de força para se manter em pé, atrofia completa e permanente e retardo mental, além de permanecer em um estado parecido com um transe durante as crises. Na maioria das vezes, os sintomas são irreversíveis e a mortalidade é elevada.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 3.000 casos foram registrados no norte do país este ano. Para atender ao enorme contingente de crianças e acabar com as filas nos hospitais locais, o governo estabeleceu centros específicos de diagnóstico e tratamento em diversos pontos da região. Na cidade de Kitgum, por exemplo, famílias fazem fila nos hospitais e as enfermarias permanecem lotadas de crianças doentes.

Embora atualmente seja um grave problema de saúde pública em Uganda, casos da doença já haviam sido registrados na década de 60, na Tanzânia e, nos últimos anos, no Sudão. Tendo em vista o forte impacto social e econômico, autoridades sanitárias estão empenhando esforços não apenas para detectar as causas, mas também a cura para a doença.

Frente a isto, como alguns dos sintomas são semelhantes com os da epilepsia, médicos estão receitando medicamentos anticonvulsivantes, como o valproato de sódio, para tratar as crianças doentes. Embora este tipo de terapêutica não tenham sido comprovado cientificamente, a prática clínica tem demonstrado que crianças acometidas quando tratadas com valproato de sódio, apresentam relativa melhora e menor tendência em desenvolver crises convulsivas, segundo as autoridades de saúde locais.

Em novembro de 2009, o governo de Uganda solicitou ajuda do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) norte-americano. Na ocasião, especialistas americanos visitaram a região atingida e coletaram diversas amostras para realizar exames e tentar descobrir as causas da doença, assim como haviam feito alguns anos atrás no Sudão.

De acordo com os resultados preliminares divulgados pela OMS, foram encontrados níveis elevados de anticorpos contra Onchocerca volvulus em 63% das amostras coletadas no Sudão. Trata-se de uma espécie de nematóide parasita, causador da Oncocercose, também conhecida como “cegueira dos rios” ou “mal do garimpeiro”. Por outro lado, as investigações realizadas no norte de Uganda revelaram uma associação significativa entre o consumo prévio de raízes esmagadas e a presença de anticorpos contra Onchocerca volvulus entre os casos, quando comparados aos controles não afetados.

Embora ainda não tenha sido comprovado um agente causador específico, acredita-se que a manifestação da doença esteja associada às condições socioeconômicas. Crianças vivendo em condição de extrema pobreza, tais como, carências nutricionais, falta de água potável e situação precária de higiene e moradia, parecem ser mais suscetíveis a doença.

O norte de Uganda se configura como uma região devastada por uma guerra que durou mais de 20 anos. Apesar de atualmente ser uma área pacificada, famílias ainda vivem em condições de muita pobreza, fragilizadas pelas graves conseqüências dos conflitos armados.

Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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