Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA)

A ocorrência de Doenças Transmitidas por Água e Alimentos tem aumentado de modo significativo nos últimos anos. Diversos fatores favorecem a incidência destas doenças, dentre os quais: o crescente aumento das populações; o processo de urbanização desordenado; a existência de grupos populacionais vulneráveis ou mais expostos; a necessidade de produção de alimentos em grande escala; a carência de redes de abastecimento de água tratada, coleta de lixo e esgoto, ou seja, às condições precárias de saneamento básico; e o deficiente controle dos órgãos públicos e privados para garantir a qualidade da água e dos alimentos ofertados às populações.

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), as DTHAs são infecções ou intoxicações que podem se apresentar de formas crônica ou aguda, com características de surto ou casos isolados, com distribuição localizada ou disseminada e com formas clínicas diversas, conforme o agente causador (vírus, bactérias, protozoários, helmintos e suas respectivas toxinas, além de fragmentos protéicos denominados príons).

Dentre as principais DTHAs, destacam–se: Amebíase, Botulismo, Cólera, Diarréia dos Viajantes, Doença de Chagas, Encefalopatia Espongiforme Transmissível (Doença de Creutzfeldt-Jakob ou Doença da Vaca Louca), Febre Tifóide, Giardíase, Hepatite A, Hepatite E, Leptospirose, Poliomielite, Rotavírus, Toxoplasmose, além de diversos tipos de verminoses.

Em geral, os sintomas mais comuns são febre, cefaléia, mal-estar, prostração, dor abdominal (cólicas), náuseas, vômitos e diarréia. Quando não tratados adequadamente, estes sintomas podem evoluir para desidratação, acidose (diminuição do pH sanguíneo podendo gerar graves repercussões hemodinâmicas), distúrbios eletrolíticos (carência de eletrólitos, tais como sódio e potássio) e, colapso circulatório com choque hipovolêmico (crise aguda de insuficiência cardiovascular por diminuição do volume de sangue circulante) e insuficiência renal, muitas vezes fatal. Entretanto, alguns casos podem cursar com comprometimento neurológico grave, sobretudo associado à paralisia muscular (Botulismo e Poliomielite), deformidades físicas (Poliomielite) e malformações congênitas (Toxoplasmose), resultando em seqüelas ou até mesmo em óbito.

A transmissão ocorre geralmente por via oral ou fecal-oral, de forma direta ou indireta. A transmissão direta ocorre de pessoa para pessoa (ex.: mãos contaminadas), ou de animal para pessoa. A transmissão indireta ocorre a partir da ingestão de água e alimentos contaminados, como por exemplo, utensílios de cozinha e acessórios de banheiro.

A contaminação pode ocorrer antes, durante ou após o preparo dos alimentos, inclusive, pode estar relacionada com a preparação inadequada (alimentos não lavados, crus e mal passados), com a manipulação sem higiene (mão e utensílios que não foram adequadamente lavados), ou mediante contato com vetores (moscas, formigas, ratos e baratas). Além disso, locais de uso coletivo, tais como escolas, creches, hospitais, restaurantes, e meios de transporte de longo percurso, apresentam maior risco de transmissão.

No Brasil, os surtos de toxinfecção por água ou alimento, ocorridas em populações abertas ou confinadas, sobretudo, em passageiros de navios ou aviões, representam um importante problema de saúde pública. Embora na maioria das ocasiões estes surtos não sejam de muita gravidade, podem atingir um número muito grande de indivíduos, sendo potencialmente fatal em alguns casos.

Portanto, a notificação dos surtos de doença gastrointestinal, transmitidas por água e alimentos, em passageiros de aeronaves e embarcações, deve ser feita de forma oportuna e imediata. A agilidade no processo de notificação é fundamental para garantir uma resposta rápida e efetiva, tendo em vista às medidas de controle do surto, sobretudo, voltadas para o reconhecimento das possíveis fontes de infecção, a coleta de amostras sujeitas à análise laboratorial para determinação do agente etiológico, e o tratamento dos indivíduos acometidos.

Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO

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