Meningites

O termo meningite refere-se a um processo inflamatório das meninges, membranas protetoras que envolvem o cérebro e a medula espinhal, sendo uma dos agravos que apresentam forte relação com as condições climáticas. Diversos fatores podem desencadear este processo inflamatório, desde agentes infecciosos, como bactérias, fungos e vírus, até agentes não infecciosos, como traumatismo e substâncias tóxicas.

Entre as várias etiologias, a meningite bacteriana é a principal responsável por complicações tardias, sobretudo sequelas neurológicas. As principais bactérias causadoras de meningite são: Neisseria meningitidis (Meningococo), Streptococcus pneumonie, Mycobacterium tuberculosis e Haemophilus influenzae. As meningites virais são causadas principalmente pelos enterovírus e o Cryptococcus neoformans é descrito como o principal agente etiológico das meningites fúngicas.

Em geral, a transmissão do agente infeccioso ocorre de pessoa para pessoa, através das vias respiratórias, por gotículas e secreções da nasofaringe, inclusive mediante contato íntimo (residentes de uma mesma casa, comunicantes de creche ou escola) ou contato direto com as secreções respiratórias de um indivíduo infectado. O período de incubação varia de 2 a 10 dias, podendo apresentar variações de acordo com o agente etiológico.

O período de transmissibilidade varia conforme o agente infeccioso, o momento em que é instituído o diagnóstico, bem como o tratamento precoce. No caso da doença meningocócica, a transmissão persiste até que o meningococo desapareça da nasofaringe, o que, na maioria das vezes, ocorre 24 horas após o início da antibioticoterapia. O Ministério da Saúde estima que cerca de 10% da população pode permanecer como portadores assintomáticos.

Em geral, os sintomas são febre, cefaleia intensa, náuseas, vômitos, rigidez de nuca, prostração e confusão mental, sinais de irritação meníngea (Sinal de Kernig e Sinal de Brudzinski), acompanhadas de alterações no líquido cefalorraquidiano (LCR). Em quadros mais graves podem estar presentes convulsões, paralisias, tremores, transtornos pupilares, hipoacusia (diminuição da capacidade auditiva), ptose palpebral (“queda” da pálpebra superior), nistágmo (movimentos oscilatórios repetidos, involuntários e rítmicos de um ou ambos os olhos), delírio e coma.

A meningoccemia caracateriza-se como uma síndrome infecciosa causada pelo diplococo gram negativo Neisseria meningitidis, podendo estar associada ou não à meningite. Esta forma consiste em uma infecção sistêmica acompanhada por exantema (rash cutâneo), principalmente nas extremidades. No início da doença, o exantema apresenta um padrão máculo-papular, porém evolui rapidamente para um exantema petequial.

Por outro lado, a Doença Meningocóccica expressa à associação de duas formas clínicas: Meningite Meningocóccica com Meningococcemia. De fato, a vigilância desta entidade clínica é de grande importância para a saúde pública, tendo em vista a magnitude e gravidade da doença.

Diferente das demais meningites, a meningite tuberculosa e a meningite fúngica podem apresentar uma evolução mais lenta, de semanas ou meses, o que torna difícil o diagnóstico de suspeição. Em geral, as meningites virais apresentam quadro clínico semelhante às demais meningites agudas, entretanto, com duração de cerca de 1 semana, sendo raras as complicações. No entanto, chama atenção o bom estado geral associado à presença dos sinais de irritação meníngea. Apesar de serem mais frequentes que as meningites bacterianas, as meningites virais se desenvolvem com menor gravidade.

O diagnóstico laboratorial das meningites é realizado através de análise do líquido cefalorraquidiano mediante punção lombar, podendo também ser utilizada a hemocultura, o raspado de lesões petequiais, amostras de urina e fezes. A análise das características do líquor permite pressupor o agente etiológico da doença.

O tratamento das formas bacterianas com antibióticos deve ser instituído logo que seja possível, preferencialmente após a punção lombar e a coleta de sangue para hemocultura. No entanto, é importante ressaltar que a quimioprofiláxia não deve ser realizada indiscriminadamente em todos os indivíduos próximos a pessoa infectada, mas sim, somente aos comunicantes que tiveram contato íntimo com o mesmo e, sobretudo, mediante prescrição médica.

Entende-se por comunicante íntimo indivíduos residentes no mesmo domicílio, inseridos em quartéis e orfanatos (indivíduos que dormem no mesmo quarto), creches e pré-escolas (crianças da mesma sala e mesmo período), pessoas expostas diretamente a secreções de orofaringe (por exemplo, através do beijo) e profissionais de saúde que tenham sido expostos a secreções respiratórias sem uso devido de máscara.

A Neisseria meningitidis é a principal bactéria causadora da meningite, tendo distribuição mundial e potencial reconhecido de ocasionar epidemias. No Brasil, os sorogrupos A e C foram responsáveis por diversas epidemias nas décadas de 70 e 80. A partir da década de 90, houve um aumento progressivo do sorogrupo C. Desde então, vários surtos isolados tem sido identificados no país, como por exemplo, em Porto Seguro-BA, neste mês.

Portanto, torna-se fundamental acionar os serviços de vigilância em saúde locais o mais rápido possível, para que as medidas de prevenção e controle da doença sejam tomadas de modo oportuno e eficaz. Frente a isto, justifica-se a importância da notificação imediata.

Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO

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