Influenza (Gripe)

A influenza ou gripe constitui uma infecção viral aguda do sistema respiratório, de elevada transmissibilidade e distribuição global. Um indivíduo pode contraí-la inúmeras vezes ao longo da vida e, em geral, tem evolução autolimitada. Todavia, de acordo com a diversidade antigênica do agente etiológico (causador), esta doença pode se apresentar de forma mais ou menos grave. No Brasil, o aumento na incidência da doença ocorre principalmente nos meses mais frios, em locais de clima temperado, ou no período chuvoso, em locais de clima tropical.

A doença é causada pelo vírus influenza, da família Ortomixiviridae, o qual se subdivide em três tipos antigênicos distintos: A, B e C. De fato, os vírus influenza A são os mais propensos a sofrerem variações (mutações) em sua estrutura genética, gerando diversos subtipos. A cada ano, a ocorrência destas mutações, dando origem a novos tipos antigênicos virais, favorece a manifestação cíclica da doença na população. É por este motivo que a composição da vacina contra influenza sofre modificações a cada ano.

O modo de transmissão mais comum é a transmissão direta (pessoa a pessoa), por meio de gotículas de aerossol, expelidos por um indivíduo infectado com o vírus influenza, a pessoas suscetíveis, ao falar, espirrar e tossir. No entanto, a transmissão de modo indireto também pode ocorrer por meio do contato com materiais contaminados pelas secreções nasofaríngeas do doente. Neste caso, a lavagem regular e adequada das mãos é a principal forma de prevenção. Em geral, o período de incubação é de 1 a 4 dias. Um indivíduo infectado pode transmitir o vírus no período de 2 dias antes até 5 dias depois do início dos sintomas. O diagnóstico da doença, bem como a identificação do sorotipo viral, é realizado por meio de análise laboratorial das secreções de nasofaringe.

Embora a transmissão inter-humana seja a forma mais comum, já está documentada a transmissão da influenza A (H1N1) 2009 pandêmica entre espécies, sobretudo a partir de aves e suínos para o homem. Os vírus da influenza aviária estão presentes nas fezes, sangue e secreções respiratórias das aves infectadas. A contaminação humana, ainda que rara, pode ocorrer por meio da inalação dessas secreções. Entretanto, a contaminação mediante o consumo de ovos ou carnes de aves infectadas não foi evidenciado.

A Influenza Sazonal constitui a apresentação de síndrome gripal clássica e mais recorrente na população. Os sintomas, muitas vezes, são semelhantes aos do resfriado, que se caracteriza pelo comprometimento das vias aéreas superiores. Em geral, tem início de forma abrupta e evolução autolimitada, de poucos dias. Os principais sintomas são: febre maior ou igual a 38ºC, tosse seca, congestão nasal, rinorréia (secreção nasal), rouquidão, dor de garganta, mialgia, dor de cabeça e prostração. No entanto, complicações podem estar presentes, como por exemplo, as pneumonias, responsáveis por um grande número de internações hospitalares no país.

No Brasil, a ocorrência de influenza constitui um importante problema de saúde pública, associado a elevadas taxas de absenteísmo escolar e no trabalho, e uma grande sobrecarga de atendimento nos serviços de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), as infecções respiratórias constituem um conjunto de doenças comumente relacionadas aos idosos e às crianças, sendo o vírus influenza um dos principais agentes etiológicos, responsável por 75% dessas infecções.

Portanto, os quadros graves da doença estão frequentemente associados à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), podendo levar até mesmo ao óbito. Tais complicações são muito mais comuns entre idosos, pessoas com história de patologias crônicas ou outros grupos de maior vulnerabilidade, que contribuem para a elevação das taxas de morbimortalidade, entre os quais, indígenas, gestantes e crianças.

Entre 25 de Abril e 13 de Maio de 2011, o MS lançou a “13ª Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza”, sobretudo, direcionada a estes indivíduos em situação de risco, tais como: a idosos com idade maior ou igual a 60 anos, gestantes, profissionais de saúde, povos indígenas e crianças na faixa etária de 6 meses a 2 anos. Segundo o MS, alguns estudos demonstram que a vacinação é capaz de reduzir em até 45% o número de hospitalizações por pneumonias.

Embora existam medicamentos anti-virais disponíveis para auxiliar no tratamento dos quadros graves de influenza (como por exemplo, o oseltamivir, comercializado com o nome tamiflu), a principal preocupação das autoridades públicas de saúde é coibir o uso indiscriminado destes medicamentos, principalmente em indivíduos com quadro brando da doença, com o intuito de prevenir a seleção de formas virais resistentes. De fato, a indicação criteriosa do medicamento, exclusivamente sob prescrição médica e, sobretudo, em consonância com as recomendações do MS, constitui uma conduta fundamental para prevenir a disseminação da doença na população.

Paralelamente, a Vigilância Epidemiológica da influenza desempenha um papel fundamental para o controle da doença, promovendo atividades que contribuem para monitorar os principais sorotipos de vírus circulantes, avaliar os impactos da vacinação contra a doença, acompanhar as tendências de morbidade e mortalidade nos grupamentos populacionais, responder em situações inusitadas (como por exemplo, em surtos e aglomerados de casos), detectar e oferecer resposta rápida à circulação de novos sorotipos capazes de gerar pandemias, além de produzir e disseminar informações epidemiológicas estratégicas. Todavia, somente é possível desenvolver estas atividades em parceria com a população, sobretudo, a partir da notificação.

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