Leptospirose

A Leptospirose é uma doença infecciosa febril de início abrupto e potencialmente grave, causada por uma bactéria do gênero Leptospira, que é transmitida por animais de diferentes espécies (suínos, caninos, bovinos e, principalmente, roedores) para os seres humanos. As bactérias deste gênero podem permanecer por tempo indefinido nos rins dos animais infectados sem, no entanto, provocar sintomas. Também são capazes de sobreviver por até seis meses no meio ambiente, após serem excretadas pela urina dos animais infectados. 

Trata-se de uma zoonose (doenças de animais transmitidas ao homem, e vice-versa) de grande importância social e econômica, cuja incidência é elevada em determinadas áreas e épocas do ano, o que representa alto custo hospitalar e elevada taxa de absenteísmo escolar e no trabalho. Também apresenta uma letalidade significativa, a qual pode chegar a 40% nos casos mais graves.

Sua ocorrência está associada às precárias condições de infraestrutura sanitária e alta infestação de roedores infectados. As inundações propiciam a disseminação e persistência do agente causal no ambiente, facilitando a ocorrência de surtos.

A infecção humana resulta da exposição direta ou indireta à urina de animais infectados. A penetração do microrganismo ocorre através da pele com presença de lesões, da pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada ou através de mucosas. O período de incubação dura em torno de 30 dias.

No Brasil, os ratos urbanos (ratazanas, ratos de telhado, camundongos) são os principais transmissores da doença e o número de casos da doença aumenta consideravelmente nos períodos de chuva, por causa das enchentes e inundações. Além disso, o risco não desaparece depois que o nível das águas abaixa, uma vez que a bactéria é capaz de permanecer ativa nos resíduos úmidos por um longo tempo.

A doença pode ser assintomática. No entanto, os indivíduos sintomáticos podem desenvolver febre alta de início repentino, mal-estar, dores musculares (mialgias), especialmente na panturrilha, dores de cabeça e no tórax, olhos avermelhados (hiperemia conjuntival), tosse, cansaço, calafrios, náuseas, diarréia, desidratação, exantemas (manchas vermelhas pelo corpo) e inflamação das meninges.

Em geral, a doença é autolimitada, o indivíduo doente costuma evoluir bem e os sintomas regridem depois de três ou quatro dias. Porém, essa melhora pode ser transitória, uma vez que o indivíduo pode desenvolver complicações, caracterizadas pela “Síndrome de Weil”, as quais compreendem: icterícia, hemorragias, complicações renais, torpor e até mesmo o coma.

Estimativas apontam que, aproximadamente 90% dos casos de Leptospirose cursam com uma doença discreta e autolimitada, com febre, cefaleia, dores musculares, náuseas e vômitos, sendo na maioria das vezes confundidas com viroses. No entanto, de 5% a 10% dos casos evoluem para a forma ictérica (Síndrome de Weil), com falência de múltiplos órgãos, resultando em necessidade de tratamento suporte e alto custo de hospitalização. Quanto antes for instituído o diagnóstico e tratamento da doença, maiores serão as chances de se evitar complicações.

Tendo em vista a magnitude da doença, considerada um dos principais problemas de saúde pública em diversos países, é fundamental orientar a população a adotar medidas de proteção contra a doença, particularmente durante os períodos de grandes chuvas. Dentre algumas destas medidas, citamos: (1) evitar entrar ou permanecer desnecessariamente em contato com áreas alagadas ou enlameadas sem a devida proteção individual; (2) adotar medidas de desinfecção de domicílios após enchentes; (3) descartar os alimentos que entraram em contato com águas contaminadas e; (4) garantir o tratamento adequado da água para consumo doméstico.

Complementando, medidas de antirratização são indicadas em áreas endêmicas sujeitas a inundações. No entanto, a participação ativa e consciente da população, sobretudo em situações de desastres naturais (como enchentes), ainda é a forma mais eficaz de prevenir a disseminação da doença.

 Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO!

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