Atenção aos enlatados, embutidos e conservas: Previna-se do Botulismo Alimentar!

Ao longo dos anos, o homem desenvolveu diversas técnicas relativamente capazes de proporcionar o aumento do tempo de conservação dos alimentos. Além do emprego de substâncias conservantes, os alimentos passaram a ser acondicionados em recipientes de vidro ou de lata, ou embalados a vácuo, com o intuito de retardar seu processo de deterioração. No entanto, a produção e conservação de alimentos de maneira inadequada podem acarretar risco à saúde, resultando em inúmeras formas de intoxicação alimentar, dentre as quais o Botulismo.

Embora seja raro, o Botulismo Alimentar é uma forma de intoxicação potencialmente fatal, causada por uma potente toxina neuroparalítica produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Trata-se de um bacilo anaeróbio, ou seja, que não utiliza o oxigênio em seu metabolismo energético, capaz de produzir esporos resistentes, presente no solo, nas fezes humanas e de animais, e em alimentos contaminados e mal conservados.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Botulismo é uma doença grave, de alta letalidade, que deve ser considerada como uma emergência médica e de saúde pública. A distribuição da doença é mundial, com casos esporádicos ou surtos familiares. O nome provém da palavra botulus (salsicha) em latim, alimento envolvido nos primeiros casos da doença, cientificamente comprovados, ocorridos na Europa Central no fim do século XVI.

Os alimentos mais comumente envolvidos são: conservas vegetais, sobretudo as artesanais (palmito, picles, pequi); produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal (salsicha, presunto, carne frita conservada em gordura – “lata de carne”); pescados defumados, salgados e fermentados; queijos e pastas de queijos e, raramente, os alimentos enlatados industrializados. Na maioria das vezes, os alimentos envolvidos são as conservas caseiras.

Clinicamente, caracteriza-se por manifestações neurológicas e/ou gastrintestinais, podendo ter evolução grave, com necessidade de hospitalização prolongada. Os primeiros sintomas são, geralmente, náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréia e constipação. Em seguida, os sinais neurológicos se instalam com manifestações de dor de cabeça; prejuízos visuais como diplopia (visão dupla), pupila dilatada, ptose palpebral (popularmente conhecida como “pálpebra caída”), nistagmo (movimentos repetidos e involuntários de um ou ambos os olhos), oftalmoplegia (paralisia da musculatura dos olhos); disfagia (dificuldade de deglutir); disartria (dificuldade de falar); boca, garganta e língua secas; paralisia descendente; fraqueza muscular progressiva; dilatação gástrica; paralisia intestinal; retenção urinária; perda do controle muscular e paralisia dos músculos respiratórios, sendo esta última a principal causa de óbito. Vale destacar ainda que o indivíduo permanece consciente durante todo o quadro clínico.

O período de incubação da doença varia de acordo com a quantidade de toxina presente no alimento contaminado. Em média, varia em torno de 2 horas até 10 dias. Quanto ao tratamento, seu êxito está diretamente relacionado à precocidade com que a conduta é iniciada, em geral, com emprego de soro antibotulínico (SAB) e de antibióticos, além de monitorização hemodinânica em unidade hospitalar que disponha de terapia intensiva (UTI).

Frente a isto, é fundamental estar atento às condições em que os alimentos são produzidos e armazenados, bem como sua procedência. Como característica, a bactéria causadora apenas se desenvolve em ambientes sem oxigênio, o que justifica o maior risco de se proliferar nos enlatados. Portanto, latas inchadas, que parecem cheias de ar, podem indicar a presença do microrganismo, uma vez que os gases liberados pela fermentação bacteriana podem acabar estufando latas e tampa de recipientes.

Segue abaixo algumas recomendações:

  • Alimentos enlatados, embutidos a vácuo e em conservas devem ser consumidos dentro do prazo de validade estipulado pelo fabricante.
  • Os alimentos que apresentarem embalagens abauladas, latas “estufadas” e turvamento do líquido de conserva, jamais devem ser consumidos, sendo imediatamente reportados às autoridades públicas de saúde (Vigilância Sanitária), para proceder ao recolhimento dos lotes contaminados, evitando assim novos casos.
  • Alimentos cujas embalagens apresentam selo de certificação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os quais foram sujeitos à criteriosa bateria de inspeção, oferecem maior segurança para o consumidor, em detrimento aos alimentos de fabricação caseira.
  • O Botulismo é uma doença de notificação compulsória desde a publicação da portaria GM/MS n° 1.943, de 18 de Outubro de 2001. Diante da magnitude da doença e da possibilidade de ocorrência de outros casos resultantes da ingestão da mesma fonte de alimentos contaminados, um único caso já é considerado um surto e emergência de saúde pública, devendo ser imediatamente notificados às autoridades públicas de saúde.

Até sexta-feira que vem,
Equipe CIEVS RIO!

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