Surtos de Gastroenterite por Norovírus

Na semana passada, um surto de norovírus em dois navios norte-americanos, que realizavam um cruzeiro pelo Caribe, teve forte repercussão na opinião pública mundial. Na ocasião, cerca de 500 pessoas, dentre tripulantes e passageiros, apresentaram sintomas de dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia, o que se configurou num dos mais importantes surtos de gastroenterite em embarcações já registrados.

No auge da temporada de cruzeiros pelo litoral brasileiro, notícias sobre intoxicações a bordo de navios podem provocar forte apreensão entre turistas. Além de acarretar grandes perdas econômicas, eventos desta magnitude exercem forte impacto negativo na saúde da população, representando grandes desafios para as autoridades públicas de saúde.

Surtos de norovírus são considerados importantes problemas de saúde pública, de âmbito mundial, dada sua rápida capacidade de transmissão e difícil controle. Segundo especialistas do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz, as infecções por norovírus respondem por 99% dos surtos de gastroenterite em navios.

Infecções por norovírus são consideradas a principal causa de gastroenterite humana não bacteriana de transmissão alimentar, ou transmissão pessoa a pessoa via fecal-oral, acometendo adultos e crianças em todo mundo. Comumente, estão associados a surtos em locais confinados e com grandes aglomerados populacionais, tais como: navios, aviões, asilos, hospitais, creches, escolas, ou até mesmo no ambiente doméstico, entre membros de uma mesma família.

As manifestações clínicas se caracterizam por náuseas, dor abdominal, vômito, diarreia branda, autolimitada e não sanguinolenta. No entanto, alguns indivíduos podem cursar com formas graves, com sintomas de náuseas e vômitos associados à diarreia abundante, a qual pode acarretar desidratação e, eventualmente, morte. O período de incubação varia de 24 a 48 horas. Os sintomas duram, em média, de 12 a 60 horas.

Aproximadamente 10% dos indivíduos acometidos necessitam de atendimento médico, incluindo hospitalização e tratamento contra a desidratação mediante terapia de reidratação oral ou intravenosa. Cerca de 30% dos indivíduos infectados permanecem assintomáticos, porém são capazes de transmitir o vírus, configurando importante fonte de manutenção na cadeia de infecção. Óbitos associados à gastroenterites por norovírus comumente são reportados em crianças e idosos.

O norovírus apresenta alta infecciosidade e resistência, permanecendo em superfícies com as quais uma pessoa infectada teve contato, o que torna o compartilhamento de espaços e objetos um potencial risco para à saúde. Portanto, a facilidade de transmissão do vírus dificulta bastante as ações de controle de surtos, mesmo em espaços restritos. Frente a isto, o principal foco recai sobre a manipulação dos alimentos, sobretudo, por indivíduos portadores assintomáticos.

Em situações de grandes surtos, tem sido rotina entre os laboratórios brasileiros realizar o sequenciamento genético do norovírus encontrado nas amostras analisadas de indivíduos infectados. Uma vez identificada, estas sequencias são depositadas no GenBank, um banco de dados que reúne sequencias genéticas de organismos, o qual é alimentado por cientistas de todo o mundo. Como a variabilidade genética do norovírus é muito grande, este sequenciamento genético contribui para traçar o perfil da cepa circulante no Brasil.

A interrupção da transmissão é a primeira estratégia para a prevenção da doença, especialmente nos ambientes confinados. Frente a isto, o Ministério da Saúde recomenda algumas medidas, tais como: a lavagem regular das mãos com água e sabão, sobretudo, durante o preparo das refeições, bem como a manutenção de objetos e utensílios limpos, visto que os norovírus são capazes de permanecer em superfícies inanimadas secas por um período de 8 horas até 7 dias.

Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVSRIO.

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