Alerta para Hantavirose na América Latina

Nos últimos meses, o aumento do número de casos de Hantavirose na América Latina, sobretudo no Chile, tem causado forte repercussão na opinião pública mundial. Em meados do ano passado, autoridades sanitárias chilenas chegaram a decretar estado de emergência sanitária nas regiões de Bío-Bío e Los Ríos, após a notificação de 29 casos, sendo 10 deles fatais.

De acordo com o Ministério da Saúde chileno, foram registrados 246 casos da doença nos últimos cinco anos, incluindo casos urbanos. E neste ano a realidade não poderia ser diferente, tendo em vista que passados dois meses e já se registram 18 casos da doença na região, com uma taxa de mortalidade que chega a 37,5%, o que significa que a cada três pessoas infectadas pelo Hantavírus, uma morre.

Nas Américas, a Hantavirose é considerada umas das principais doenças emergentes, a qual se manifesta de diferentes formas, desde uma doença febril aguda inespecífica até quadros pulmonares e cardiovasculares mais graves. Em geral, são conhecidas duas formas graves da doença: Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHRS) e a Síndrome Cardiopulmonar pelo Hantavírus (SCPH).

Embora seja mais prevalente na Ásia e na Europa, onde a FHRS é a forma mais predominante, a doença encontra-se amplamente distribuída em diversos países do continente americano, sobretudo, como uma doença emergente, na forma de SCPH. A taxa de letalidade da hantavirose americana pode alcançar até 50%. No Brasil, foi descrita pela primeira vez em 1993 e atualmente registra-se sua ocorrência em vários estados do país, com incidência crescente.

Ambas as formas são transmitidas ao homem através de partículas virais eliminadas nas fezes e urina de roedores domésticos e silvestres. No entanto, foram descritas outras formas de transmissão menos recorrentes, dentre as quais, a percutânea, mediante lesões por mordeduras ou arranhões de roedores, além do contato direto com mucosas (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excrementos de roedores infectados.

A doença é causada por um vírus RNA pertencente à família Buyanviridae, do gênero hantavírus. Existem diversas cepas do vírus, dependendo da região de ocorrência. Cada cepa de vírus tem tropismo (afinidade) por uma determinada espécie de roedor silvestre.

Em média, o período de incubação dura de 2 a 3 semanas. Os sintomas caracterizam-se por febre, dores musculares, dores abdominais, cefaleia intensa, náuseas vômitos e diarreia. Em torno de 4 a 6 dias de doença, podem surgir graves complicações mediante comprometimento cardiopulmonar e renal, os quais necessitam internação e suporte em Unidade de Terapia Intensiva, monitorização hemodinâmica e uso de drogas vasoativas.

No Brasil, no período de novembro de 1993 a dezembro de 2008, foram registrados 1.119 casos da doença, sendo mais prevalente nas regiões Sul (39,3%), Sudeste (30,2%) e Centro-oeste (22,3%). Além disso, metade dos indivíduos acometidos (50%) residia em área rural e 65% exerciam ocupação relacionada a atividades agrícolas e/ou pecuária, conforme dados do Ministério da Saúde.

As medidas de controle e profilaxia são baseadas no manejo ambiental, através de práticas de higiene e medidas corretivas no ambiente, como: saneamento básico, melhorias nas condições de trabalho e moradia, juntamente com medidas de controle de roedores (desratização). Frente a isto, o Ministério da Saúde recomenda algumas medidas específicas, dentre as quais:

  • Eliminar resíduos, entulhos e objetos inúteis que possam servir como abrigo de roedores;
  • Armazenar insumos e produtos agrícolas (grãos, hortifrutigranjeiros e frutas) em recipientes apropriados distantes do solo;
  • Produtos armazenados no interior dos domicílios devem ser conservados em recipientes fechados e distantes do solo;
  • Vedar fendas ou quaisquer aberturas para bloquear a entrada de roedores no domicílio;
  • Remover, preferencialmente no período noturno, sobras de alimentos de animais domésticos;
  • Acondicionar lixos orgânico e inorgânico em latões com tampa e/ou em sacos plásticos mantidos em suporte distantes do solo.
  • Promover lavagem adequada das mãos;
  • Promover a limpeza regular do interior e peridomicílio.

Obs: Em geral, tais medidas são eficazes contra a proliferação de roedores. No entanto, nos locais em que há alta infestação, a desratização mediante processo químico pode ser necessária, desde que realizada por profissional especializado.

Até sexta-feira que vem,
Equipe CIEVSRIO.

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