Alerta para Síndrome de Nodding: Doença misteriosa afeta desenvolvimento mental de crianças em Uganda

Uma doença misteriosa está afetando o desenvolvimento físico e mental de crianças em Uganda. No norte do país a doença ficou conhecida como Síndrome de Nooding, um termo oriundo da língua inglesa que faz alusão ao movimento para cima e para baixo que é feito com a cabeça quando concordamos com algo.

Dentre os principais sintomas apresentados pelas crianças atingidas pela doença, estão convulsões freqüentes, problemas de fala e falta de força para se manter em pé, atrofia completa e permanente e retardo mental, além de permanecer em um estado parecido com um transe durante as crises. Na maioria das vezes, os sintomas são irreversíveis e a mortalidade é elevada.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 3.000 casos foram registrados no norte do país este ano. Para atender ao enorme contingente de crianças e acabar com as filas nos hospitais locais, o governo estabeleceu centros específicos de diagnóstico e tratamento em diversos pontos da região. Na cidade de Kitgum, por exemplo, famílias fazem fila nos hospitais e as enfermarias permanecem lotadas de crianças doentes.

Embora atualmente seja um grave problema de saúde pública em Uganda, casos da doença já haviam sido registrados na década de 60, na Tanzânia e, nos últimos anos, no Sudão. Tendo em vista o forte impacto social e econômico, autoridades sanitárias estão empenhando esforços não apenas para detectar as causas, mas também a cura para a doença.

Frente a isto, como alguns dos sintomas são semelhantes com os da epilepsia, médicos estão receitando medicamentos anticonvulsivantes, como o valproato de sódio, para tratar as crianças doentes. Embora este tipo de terapêutica não tenham sido comprovado cientificamente, a prática clínica tem demonstrado que crianças acometidas quando tratadas com valproato de sódio, apresentam relativa melhora e menor tendência em desenvolver crises convulsivas, segundo as autoridades de saúde locais.

Em novembro de 2009, o governo de Uganda solicitou ajuda do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) norte-americano. Na ocasião, especialistas americanos visitaram a região atingida e coletaram diversas amostras para realizar exames e tentar descobrir as causas da doença, assim como haviam feito alguns anos atrás no Sudão.

De acordo com os resultados preliminares divulgados pela OMS, foram encontrados níveis elevados de anticorpos contra Onchocerca volvulus em 63% das amostras coletadas no Sudão. Trata-se de uma espécie de nematóide parasita, causador da Oncocercose, também conhecida como “cegueira dos rios” ou “mal do garimpeiro”. Por outro lado, as investigações realizadas no norte de Uganda revelaram uma associação significativa entre o consumo prévio de raízes esmagadas e a presença de anticorpos contra Onchocerca volvulus entre os casos, quando comparados aos controles não afetados.

Embora ainda não tenha sido comprovado um agente causador específico, acredita-se que a manifestação da doença esteja associada às condições socioeconômicas. Crianças vivendo em condição de extrema pobreza, tais como, carências nutricionais, falta de água potável e situação precária de higiene e moradia, parecem ser mais suscetíveis a doença.

O norte de Uganda se configura como uma região devastada por uma guerra que durou mais de 20 anos. Apesar de atualmente ser uma área pacificada, famílias ainda vivem em condições de muita pobreza, fragilizadas pelas graves conseqüências dos conflitos armados.

Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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