Febre de Lassa mata aproximadamente 3.000 pessoas anualmente na Nigéria

Integrantes da Associação de Controle de Pragas da Nigéria afirmaram, durante a Conferência Nacional para Controle de Roedores, que a Febre de Lassa mata cerca de 3.000 pessoas anualmente no país. No entanto, os impactos deste agravo na população africana ultrapassam as fronteiras nigerianas. A Febre de Lassa é uma doença hemorrágica viral de caráter considerado “devastador”, sendo um dos principais problemas de saúde pública presentes na África Ocidental.

Trata-se de uma infecção viral aguda causada pelo vírus de Lassa, um tipo de Arena vírus, o qual foi descrito pela primeira vez em 1969, na cidade de Lassa, na Nigéria. Embora apresente uma prevalência elevada em diversos países africanos, as ações voltadas para a prevenção e controle da doença esbarram na falta de infra-estrutura básica e na fragilidade das políticas públicas de saúde implementadas nos países endêmicos, tais como: Serra Leoa, Congo, República Democrática do Congo, Libéria e Nigéria.

Estima-se que ocorram de 300 mil a 500 mil casos por ano na África, com uma taxa de mortalidade de 15% a 20% entre os indivíduos hospitalizados, a qual pode chegar a 50% durante os períodos epidêmicos. Além disso, é estimada uma mortalidade de 90% entre gestantes no terceiro trimestre, tanto para a mulher, quanto para o feto.

Estudos realizados nas décadas de 70 e 80 apontaram a existência de três áreas endêmicas na Nigéria: a região nordeste em torno da cidade de Lassa, onde a doença foi inicialmente descrita; a região central do país, em torno da cidade de Jos e; a região sul, nos arredores de Onitsha. Atualmente, não se dispõe de informações acerca da situação epidemiológica da doença, tendo em vista a inexistência de um sistema de vigilância específico.

O hospedeiro do vírus é um roedor da espécie Mastomys natalensis, bastante comum no continente africano, o qual foi encontrado infectado por vírus Lassa, pela primeira vez, em Serra Leoa e na Nigéria em 1972, e mais recentemente na Guiné, em 2009. Estes roedores apresentam o hábito de se reproduzir no ambiente doméstico durante a estação de seca, e se dispersarem nos campos em períodos chuvosos, sobretudo, em áreas de cultivo nos dias que antecedem as colheita. Neste sentido, a precipitação parece ser um fator ecológico importante, uma vez que estudos longitudinais recentes demonstraram a infecção de roedores por vírus de Lassa duas a três vezes mais prevalente nos períodos chuvosos, em comparação as estações secas.

A doença é transmitida aos seres humanos através do contato com água ou alimentos contaminados pela urina ou excrementos destes roedores. Os primeiros sintomas ocorrem normalmente de 1 a 3 semanas após a exposição ao vírus, e podem incluir febre, cada vez mais alta, dor na garganta, tosse, inflamação dos olhos (conjuntivite), dor retroesternal acompanhada por edema no local, dores abdominais, dores musculares generalizadas, vômitos, diarréia e fraqueza, os quais podem perdurar por vários dias. Quadros clínicos mais graves caracterizam-se por sintomas neurológicos, os quais compreendem a perda progressiva da audição, tremores e encefalite (inflamação no cérebro). A longo prazo, a principal complicação da Febre de Lassa é a surdez. Assim como a maioria das viroses febris agudas, apresenta sintomas variados e inespecíficos, os quais dificultam o estabelecimento do diagnóstico.

Embora não exista uma terapêutica medicamentosa comprovadamente eficaz contra a Febre de Lassa, o uso empírico da droga antiviral Ribavirina tem se mostrado capaz de reduzir em até 55% a letalidade da doença, desde que administrada nos primeiros 06 dias após o início dos sintomas. Até o momento, não existe vacina eficaz contra a doença.

Em geral, a Febre de Lassa é uma doença considerada de difícil controle na região, em virtude da existencia de condições propícias a proliferação dos roedores transmissores do vírus. Nas áreas endêmicas, são encontradas populações em situação de extrema pobreza, a mercê de políticas públicas de saúde, na maioria das vezes, nada resolutivas. Tais populações encontram-se fragilizadas por carências nutricionais, de higiene e saneamento básico, o que as tornam vulneráveis frente a doença.

Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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