Surto de Caxumba acomete a população juvenil no nordeste da Espanha

Desde dezembro do ano passado, um surto de Caxumba vem afligindo os habitantes de Girona, uma província localizada no nordeste da Espanha. Embora seja uma doença comum entre crianças, o que chama atenção é a faixa etária acometida, constituída por jovens com idade entre 16 e 18 anos, os quais representam mais de 50% dos 106 casos registrados. A despeito da disponibilidade, já há alguns anos, de uma vacina eficaz e gratuita contra a doença, a ocorrência do surto na Espanha tem causado grande repercussão no “Velho Continente”.

Na tentativa de entender um pouco mais o que está acontecendo, torna-se oportuno discutir alguns aspectos importantes acerca da doença. A Caxumba, assim como as demais “Doenças comuns na infância”, ainda representa um dos principais problemas de saúde pública que afetam a população mundial, sendo responsável por grande parte dos absenteísmos na escola e no trabalho.

Trata-se de uma doença viral, caracterizada principalmente por febre e aumento de volume de uma ou mais glândulas salivares (geralmente as Parótidas, por isso chamada de “Parotidite infecciosa”) e, às vezes, glândulas sublinguais ou submandibulares. Como característica peculiar da doença, este aumento das glândulas salivares próximas aos ouvidos faz com que o rosto fique inchado.

É causada por um vírus da família Paramyxoviridae, a mesma a que pertence o vírus do Sarampo, fato que evidencia um importante parentesco entre estes dois tipos virais. Altamente contagiosa, a Caxumba é transmitida por contato direto com gotículas de saliva ou perdigotos de pessoas infectadas, apresentando um período de incubação de duas a três semanas. Comumente, verifica-se um aumento na incidência da doença principalmente no inverno e na primavera, período em que os indivíduos permanecem mais tempo aglomerados. Ocorrem usualmente sob a forma de surtos, sobretudo, atingindo crianças institucionalizadas em creches e escolas.

Seus primeiros sintomas caracterizam-se por febre, calafrios, dores de cabeça, musculares e ao mastigar ou engolir, além de fraqueza. Nos casos graves, pode haver meningite, quase sempre sem seqüelas. Quando presentes, as principais seqüelas são a esterilidade e a diminuição da capacidade auditiva. Estima-se que, na ausência de imunização, 85% dos adultos desenvolvem a doença e que um terço dos infectados permanecem assintomáticos. Todavia, a doença tende a ser mais severa em adultos.

Após a puberdade, a doença pode causar inflamação e inchaço doloroso dos testículos (orquite) nos homens (20 a 30% das infecções em homens adultos), ou dos ovários (ooforite) nas mulheres (5% dos casos em mulheres adultas), podendo levar à esterilidade. Por isso, faz-se necessário redobrar a atenção e vigilância da doença, sobretudo, nas formas graves. De fato, a vacinação ainda é a melhor maneira de prevenir a doença.

Atualmente, a vacina disponível nos serviços de saúde é a Tríplice Viral ou MMR (termo que faz alusão às iniciais “Measles”, “Mumps” e “Rubella”, do inglês, que significam Sarampo, Caxumba e Rubéola, respectivamente). De acordo com o Ministério da Saúde, através do Calendário Básico de Imunização em vigor no Brasil, a vacina é recomendada aos 12 meses de idade, incluindo um reforço na faixa etária de 4 a 6 anos. Na faixa etária de 11 a 19 anos, são preconizadas duas doses da vacina, enquanto que na faixa etária de 20 a 59, é recomendada apenas uma única dose. Em casos de surto, a vacinação de bloqueio deve atender às recomendações dos serviços de vigilância locais, sendo destinada exclusivamente para os indivíduos que mantiveram contato direto com pessoas doentes.

Em 2007, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (SES-SP) anunciou a descoberta de um novo sorotipo viral da Caxumba, inédito no mundo. Através de um estudo realizado pelo Instituto Adolfo Lutz, a nova variante foi detectada por intermédio de 14 amostras biológicas procedentes dos municípios de Atibaia, São Paulo, Jundiaí e Campinas e, coletadas no período de dezembro de 2006 a maio de 2007.

Após o isolamento em cultura celular e identificação por anticorpos monoclonais específicos, o estudo molecular comprovou tratar-se de uma variante nunca antes descrita na literatura. A descoberta foi prontamente informada ao Ministério da Saúde e, posteriormente à Organização Mundial de Saúde, uma vez que sinaliza para a relevância da nova cepa frente o sucesso das estratégias de imunização.

Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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