A luta contra o Sarampo ao redor do mundo – Parte I

Nos últimos meses, pelo menos 177 crianças morreram e 4.000 ficaram doentes em consequência do Sarampo no Iêmen, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). De fato, a população infantil local se encontra em condições de vulnerabilidade extrema, à medida que uma em cada cinco crianças sofre de desnutrição aguda no país, e quase 60% são raquíticas. Paralelamente, o deslocamento contínuo de diversos grupamentos populacionais no país, saturados com a escassez das condições do meio, facilita cada vez mais a dispersão da doença.

Todavia, a luta contra o Sarampo não é apenas um desafio exclusivo aos países subdesenvolvidos. Desde 2008, mais de 22.000 casos da doença foram registrados na França, sendo 15.000 somente nos 11 primeiros meses de 2011, incluindo 06 que foram a óbito. A França é o país que concentra o maior número de casos da doença, diante da epidemia que assola o “Velho Continente”.

Ao lado, na vizinha Espanha, mais de 30.000 casos de Sarampo foram registrados no ano passado. Somente na capital Madrid, o número de casos aumentou 20 vezes nos últimos dois anos, segundo as autoridades sanitárias locais. O nível de contágio observado no ano passado na Europa só fica atrás do registrado no mesmo período na República Democrática do Congo (RDC), onde foram notificados mais de 100 mil casos. No entanto, os casos europeus superam amplamente os 15 mil detectados na Nigéria e Somália.

O Sarampo ainda é uma das principais causas de morbimortalidade entre crianças menores de 5 anos, sobretudo as desnutridas e as que vivem nos países em desenvolvimento. Trata-se de uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa. A doença é causada por um vírus pertencente ao gênero Mobilivírus, da família Paramyxoviridae e a transmissão acontece de pessoa para pessoa, através das secreções do nariz e da boca, ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

O período de incubação dura em torno de 10 dias (variando de 7 a 18). Em seguida, começam a aparecer os principais sintomas, como pequenas erupções na pele (exantema) de cor avermelhada, febre alta (acima de 38,5°C), dor de cabeça, mal-estar e inflamação das vias respiratórias, com presença de catarro. Uma vez instalados os sintomas, faz-se necessário o diagnóstico diferencial com outras doenças exantemáticas febris agudas, como por exemplo, Dengue, Rubéola e Eritrema Infeccioso por Parvovírus B19. A persistência da febre, por mais de três dias, após o aparecimento do exantema, representa um sinal de alerta, sendo indicativo de complicações. As complicações mais comuns são: infecções respiratórias; otites; doenças diarreicas; e, neurológicas.

Diante deste fato, a saúde do viajante passou a ser o principal alvo de preocupação por parte das autoridades de saúde em diversos países europeus. Na Ucrânia, anfitriã da Eurocopa 2012 (Torneio de Futebol tradicional no continente) juntamente com a Polônia, um alerta foi emitido aos viajantes que pretendem ingressar no país, frente à imprescindível necessidade de vacinação contra o Sarampo. Desde o ano passado, o país vem lutando contra a doença que, somente neste ano, já infectou mais de cinco mil pessoas. No ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) assinalou que a propagação da doença tem graves consequências para a economia e para a saúde pública. A entidade pediu aos países europeus que previnam novos surtos de Sarampo em 2012 com campanhas de vacinação que atinjam adultos e adolescentes, tendo em vista que, na atual epidemia que assola o continente europeu, sete em cada dez infectados têm mais de 10 anos.

Nesta mesma perspectiva, o Ministério das Relações Exteriores da França, assim como o Ministério da Cooperação e Negócios Estrangeiros da Espanha, emitiram um comunicado em suas páginas na internet reforçando a necessidade de proteção contra o Sarampo por parte dos turistas que pretendem visitar os países de maior incidência. A rigorosa vigilância dos casos de Sarampo durante os eventos de massa passou a ser alvo de discussão no âmbito das políticas de saúde na Europa.

De volta ao Iêmen, grandes esforço estão sendo perpetrados no sentido de reduzir a propagação da doença, sobretudo, mediante ajuda internacional. Na última semana, a OMS anunciou uma campanha de vacinação contra o Sarampo, a qual também pretende contemplar a vacinação contra a Poliomielite e o fornecimento de suplementos de vitamina A para a população infantil. A meta é atingir 8 milhões de crianças em todo o país.

A OMS ressalta que controlar a propagação da doença tem um custo elevado, lembrando o exemplo do caso de uma pessoa que viajou em 2008 da Suíça aos Estados Unidos e desencadeou a infecção de sete pessoas no Arizona. A situação demandou a utilização de serviços em dois hospitais e as medidas de contenção tomadas custaram mais de 800 mil dólares – soma suficiente para comprar 2,5 milhões de doses de vacinas para países em desenvolvimento.

 Até sexta-feira que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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