A luta contra o Sarampo ao redor do mundo – Parte II

Na semana passada, uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet revelou um panorama da luta contra o Sarampo nos últimos dez anos. Apesar dos esforços internacionais para reduzir o número de mortes pela doença, na última década, não foram atingidas as metas previstas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Embora a taxa de mortalidade tenha sofrido uma queda de 74%, esta ficou muito à quem da redução de 90% preconizada pela OMS para o período de 2000 a 2010. Em 2000, foram registradas 535 mil mortes por Sarampo, número que caiu para 139 mil em 2010. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mesmo após todos os esforços para combater o Sarampo, 382 pessoas ainda morrem por dia vítimas da doença.

Por outro lado, tal redução foi alcançada graças à eficácia das campanhas de vacinação, mesmo nas áreas mais pobres e remotas. Atualmente, o principal desafio das políticas públicas de saúde é ampliar a cobertura vacinal da população, principalmente nos países subdesenvolvidos.  Na última década, 79% das mortes por Sarampo ocorreram em países africanos e na Índia.

No Brasil, a doença está sob controle desde o ano 2000, quando o último caso autóctone foi detectado no Mato Grosso do Sul. O país lançou seu programa de eliminação do Sarampo em 1992 e registrou a última epidemia entre 1996 e 1997. O Brasil foi o primeiro país nas Américas a entregar um relatório para certificação da eliminação da doença, no ano passado. Em 2010, dezenas de casos foram notificados nos estados da Paraíba, Rio Grande do Sul e Pará, no entanto, todos sendo importados da África do Sul e da Europa, segundo dados do Ministério da Saúde.

Atualmente, grande parte das discussões acerca da doença tem colocado em foco à Saúde do Viajante, as quais vêm sendo intensificadas com a proximidade de diversos eventos de massa. Em relação ao Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) recomenda aos viajantes que tomem a vacina contra o Sarampo antes de embarcar, sobretudo, para àqueles que têm como destino a Europa e os Estados Unidos. Isto porque no ano passado foram registrados mais de 26 mil casos da doença no “Velho Continente”, principalmente na França e na Espanha, além de surtos em diversos estados norte-americanos.

A vacina é gratuita nos postos de saúde e deve ser tomada até 15 dias antes da viagem. De acordo com o Calendário Básico de Imunização, as crianças devem tomar a primeira dose aos 12 meses de vida e um reforço na faixa etária de 4 a 6 anos. Já os adultos que nunca tiveram a doença devem se vacinar. Todavia, a vacina é contra-indicada a gestantes. De fato, a prevenção ainda é a melhor forma de reduzir a mortalidade. Para os próximos anos, a nova meta pactuada pela OMS é reduzir a taxa de mortalidade da doença no ano 2000 em 95% até 2015.

Por outro lado, no final do mês passado, uma importante descoberta causou grande repercussão entre os virologistas. Cientistas da Universidade de Bonn (na Alemanha) identificaram, em morcegos, 66 novos sorotipos virais membros da família Paramixoviridae, a qual também faz parte os vírus do Sarampo e da Caxumba.

Logo, a descoberta de sorotipos virais com forte parentesco com as espécies relacionadas a doenças que afetam os seres humanos deixou em alerta os especialistas em virologia. Além disso, o risco de exposição da população aos morcegos tem aumentado consideravelmente nas últimas décadas, a medida que cada vez mais estes mamíferos perdem espaço nas florestas, sendo empurrados para as áreas urbanizadas. No entanto, ainda não se sabe se os sorotipos virais recém-descobertos representam uma ameaça ou podem ser transmitidos aos humanos.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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