HFMD acomete população infantil asiática: somente no Vietnã foram registrados mais de 28 mil casos

Embora seja uma doença tipicamente não letal, a HFMD (do inglês, “Hand, Foot and Mouth Disease” – Doença de Mão, Pé e Boca) tem se mostrado um dos principais problemas de saúde pública na Ásia. Somente no Vietnã, foram registrados mais de 28 mil casos, incluindo 18 óbitos, neste ano, segundo dados da Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV). No ano passado, configurou-se um verdadeiro surto em larga escala no país, onde mais de 100 mil pessoas ficaram doentes e 200 crianças morreram em decorrência da doença. Além disso, estima-se que 80% dos óbitos registrados na última década no Vietnã ocorreram em crianças menores de 3 anos.

A doença consiste em uma síndrome causada por vírus intestinais da família Picornaviridae. Dentre os enterovírus não-pólio (Coxsackievirus A, Coxsackievirus B, Echovirus e Enterovirus 68 a 72), os vírus Coxsackie A e Enterovirus 71 (EV-71) são os principais agentes etiológicos da doença. A transmissão ocorre a partir do contato com secreções nasais, saliva, fezes e secreções vesiculares de um indivíduo contaminado. A HFMD é bastante comum em crianças menores de 5 anos, sendo frequentes surtos em pré-escolas e jardins de infância.

Estima-se que 50 a 80% das infecções sejam assintomáticas. Porém, quando presentes, os sintomas caracterizam-se por febre; dor de cabeça; garganta inflamada; perda de apetite; mal-estar; vômitos; diarreia; dificuldade de deglutição; irritabilidade em neonatos; úlceras na boca, garganta e língua; além de erupções com vesículas (pequenas bolhas medindo de 3 a 7 mm) nas mãos, pés e nádegas. As vesículas aparecem, geralmente, na palma das mãos e planta dos pés, sendo características peculiares da doença. Em geral, os sintomas são brandos e a cura ocorre no prazo de 5 a 7 dias. O período de incubação dura em torno de 3 a 7 dias.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cepa EV-71tem sido descrita nas formas mais graves da doença, nos últimos anos. Diante destas circunstâncias, as complicações podem estar associadas à encefalite, meningoencefalite, paralisia flácida aguda, edema agudo de pulmão, hemorragia pulmonar e miocardite.

Atualmente, não há tratamento específico disponível para a infecção. O tratamento implementado consiste apenas em proporcionar alívio imediato da febre e das dores através de analgésicos, anti-térmicos e anti-sépticos bucais. De acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) norte-americano, algumas medidas preventivas são capazes de reduzir sobremaneira o risco de infecção, tais como:

  • Lavagem frequente e adequada das mãos com água e sabão, especialmente depois de trocar fraldas e usar o banheiro. (Saiba mais em “Lavagem das mãos: mãos limpas salvam vidas”, acessando http://www.cdc.gov/handwashing/)
  • Desinfecção de superfícies sujas, sobretudo de brinquedo, lavando primeiro com água e sabão e, posteriormente, desinfectando em solução de cloro (mistura de 1 colher de sopa de água sanitária com 4 xícadas de água).
  • Evitar contato íntimo através de beijos, abraços ou compartilhamento de talheres, brinquedos e demais utensílios domésticos.

Casos individuais da doença ocorrem no mundo todo, sendo mais frequentes no verão e no início do outono. Na semana passada, pelo menos 1.394 casos de HFMD foram registrados em Singapura, o que representa um aumento recorde de 19% em relação à semana anterior. De acordo com o Ministério da Saúde, foram notificados 13.289 casos da doença este ano, a maioria crianças inseridas em creches e pré-escolas. Já no sul da China, mais de 11 mil casos, incluindo quatro óbitos, foram descritos na província de Guangxi, o que significa um aumento de 38% em relação ao mesmo período do ano passado.

Embora alguns surtos tenham sido descritos no Brasil ao longo da última década, como o que ocorreu em julho de 2003 em uma creche na cidade de São Paulo, a vigilância das enteroviroses no país ainda é muito insipiente. Em 2002, um estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, em Belém do Pará, revelou que 40,8% dos indivíduos tratados no serviço de virologia do instituto tinham marcadores sorológicos indicativos de infecção por enterovírus 71. Por outro lado, verificou-se que 85,2% dos indivíduos menores de 3 anos não possuiam anticorpos contra o vírus e 69,2% dos indivíduos soropositivos estavam inseridos na faixa etária de 12 a 15 anos, o que sinaliza para a necessidade de atenção à doença também no período da adolescência.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO!

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