Cólera no Haiti: mais de 250 mil pessoas em situação de risco

Nesta semana, autoridades sanitárias haitianas afirmaram que mais de 250 pessoas estão em situação de risco para a Cólera no país. Com a chegada do período de fortes chuvas e consequente contaminação dos reservatórios de água, o número de casos da doença quase que quadruplicou. Em algumas cidades, tais como Rhode, Rincon, The Palm, Abricot, Abriot-Decidir, Bouhouc e Lady, foram registrados, em média, 150 casos por dia, nas últimas semanas. Somente este ano, pelo menos 132 mortes já foram contabilizadas.

No Haiti, a Epidemia de Cólera começou em outubro de 2010, quando tropas da ONU e do Nepal supostamente teriam introduzido a doença inadvertidamente no país, conforme apontaram diversos estudos científicos. Desde então, a doença já matou 7.074 e infectou mais de 544 mil haitianos, segundo o relatório da Missão da Organização das Nações Unidas (ONU) para a estabilização e reconstrução do Haiti.

Neste ano, a situação foi agravada pelas chuvas e inundações que afetaram o país no início do mês. Além do aumento da incidência da doença, as enchentes e deslizamentos resultaram em 10 mortes e mais de 10 mil desabrigados. Ademais, os haitianos ainda tentam se recuperar dos enormes prejuízos econômicos e sociais causados pelos fortes terremotos que devastaram o país em janeiro de 2010. Frente a isto, a ajuda internacional está sendo solicitada com intuito de viabilizar um plano operacional efetivo para prevenção e controle da doença.

Em novembro do ano passado, a ONU disponibilizou US$ 164 milhões para financiar programas de combate à epidemia de Cólera no Haiti. O objetivo principal foi viabilizar o envio de médicos, medicamentos e equipamentos de purificação da água para atender as populações mais vulneráveis. Embora tenha havido a aquisição destes recursos humanos, equipamentos e insumos, ainda que com demora, a doença continua sendo um dos principais problemas de saúde no país.

Por outro lado, a epidemia gerou diversas revoltas, principalmente no norte do país, onde grupos armados atacaram soldados do Nepal, supostamente responsáveis pela introdução da doença no país. Paralelamente, a gravidade da situação causou um grande descontentamento por parte do governo da vizinha República Dominicana, sobretudo a partir da detecção dos primeiros casos na província de Santiago de los Caballeros (República Dominicana), oriundos do Haiti.

No início do mês, o Ministério da Saúde haitiano iniciou a capacitação de mais de 200 profissionais de saúde para uma Campanha de Vacinação contra a Cólera, que está sendo programada para os próximos meses. O projeto de imunizar a população tem um custo de 1,3 milhões de dólares e está sendo financiado, em grande parte, pela Federação Internacional da Cruz Vermelha. A primeira etapa da campanha será realizada na cidade portuária de Saint Marc, cujo objetivo é proteger mais de 50.000 pessoas com a vacina oral contra a Cólera.

Trata-se de uma doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina da bactéria Vibrio cholerae, conhecida como vibrião da Cólera. Frequentemente, a infecção é assintomática ou oligossintomática (poucos sintomas), sobretudo, com diarreia leve. No entanto, a doença pode se manifestar por quadros graves, caracterizados por diarreia aquosa e profusa, com ou sem vômitos, dor abdominal e cãibras. Quando não tratada adequada e oportunamente, pode evoluir para desidratação, acidose e colapso circulatório, com choque hipovolêmico e insuficiência renal, podendo levar a óbito.

A transmissão ocorre a partir da ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes ou vômitos de indivíduos doentes ou portadores assintomáticos da bactéria. O período de incubação varia, em média, de 2 a 3 dias, podendo chegar a 5 dias. Embora o período de eliminação do vibrião nas fezes dure em torno de 20 dias, alguns doentes tornam-se portadores crônicos, expelindo a bactéria de forma intermitente por meses e até anos.

O tratamento consiste na reposição rápida e completa de água e eletrólitos perdidos nas fezes e vômitos, os quais podem ser administrados por via oral ou endovenosa. Nas formas graves, é indicada a utilização de antibioticoterapia, em geral, com Tetraciclinas (maiores de 8 anos), Sulfametoxasol+Trimetoprim (menores de 8 anos) e Ampicilina (gestantes e nutrizes).

Quanto à prevenção, as principais medidas preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são:

  • Beber somente água filtrada ou fervida;
  • Lavar as mãos com água e sabão antes das refeições e ao deixar o sanitário;
  • Lavar muito bem em água corrente as frutas, legumes e verduras antes de comê-los;
  • Evitar comer alimentos crus, incluindo verduras e peixes, sobretudo nas áreas endêmicas e;
  • Manter os alimentos protegidos de vetores (moscas, ratos, baratas, formigas, dentre outros).

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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