Doença dos Legionários na Nova Zelândia: atenção aos sistemas de ar condicionado.

Nesta semana, autoridades sanitárias neozelandesas detectaram mais quatro casos de Legionelose em Auckland, cidade mais populosa e importante centro financeiro do país. Com estes, subiu para 16 o número de casos detectados este ano, incluindo dois óbito. Porém, o que mais chamou atenção foi o registro de casos em diferentes pontos da cidade, sobretudo, em prédios comerciais. De acordo com integrantes do Serviço de Vigilância Epidemiológica local, a principal suspeita recai sobre os sistemas de refrigeração dos edifícios, os quais podem estar contaminados por Legionella pneumophila, a principal bactéria causadora da doença.

A Legionelose, também conhecida como Doença dos Legionários, consiste em uma forma de pneumonia atípica, causada por bactérias do gênero Legionella, cujos representantes compreemdem 70 sorogrupos distintos de 48 espécies, e novas espécies são descritas a cada ano. Todavia, a espécie Legionella pneumophila é o agente etiológico responsável pela maioria dos casos de Legionelose no mundo.

Estima-se que um terço das pneumonias graves sejam Legioneloses, havendo uma proporção de 1 caso para cada 20 mil pessoas por ano em países desenvolvidos, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano. Em geral, indivíduos debilitados são mais susceptíveis à pneumonias, tais como idosos e imunodeprimidos.

Trata-se de uma bactéria patogênica associada à habitats aquáticos de ambientes naturais e artificiais, ou seja, os bacilos se reproduzem em locais com presença de umidade. Portanto, os focos de infecção localizam-se em aparelhos de ar condicionado, climatizadores, torres de água e tanques de água fria e quente, dentre outros. Aparecem na forma de microepidemias ou casos esporádicos, sendo que as epidemias, em geral, ocorrem devido ao contato com a mesma fonte de contaminação, em detrimento à transmissão entre pessoas.

A transmissão ocorre através da inalação de gotículas de água contaminada, a qual carreia o bacilo diretamente para os alvéolos pulmonares. Após 2 a 10 dias de incubação, o indivíduo evolui para um quadro de pneumonia multifocal necrotizante com formação de microabcessos. Os principais sinais e sintomas são: febre, tremores, tosse seca e dores de cabeça. Paralelamente, as análises radiográficas de tórax evidenciam um padrão sugestivo de pneumonia atípica.

O tratamento inicial consiste no emprego de antibioticoterapia com macrolídios e quinolonas. Nos estágios mais avançados, as drogas de escolha são azitromicina e levofloxacina. Ainda que em vigência de tratamento oportuno, estima-se uma mortalidade superior a 20%, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

De fato, a primeira epidemia de Legionelose foi documentada em 1957. No entanto, a doença só foi reconhecida como entidade clínica em 1976. Na ocasião, foram registrados vários casos de pneumonia atípica de etiologia desconhecida em idosos que participavam de uma conferência de legionários (veteranos de guerra), na Filadélfia (Estados Unidos). Apesar do reconhecimento tardio, estudos recentes comprovam tratar-se de uma doença bastante comum entre países desenvolvidos, sendo registrados diversas microepidemias na Europa e na América do Norte.

Embora diversos casos clínicos de Legionelose tenham sido descritos no Brasil nos últimos anos, a incidência e concentração destas bactérias em fontes ambientais ainda são pouco conhecidas. Tentando elucidar estas questões, Carvalho e colaboradores (2007) desenvolveram um estudo cujo principal objetivo era analisar amostras de água e biofilme de reservatórios naturais e sistemas artificiais de climatização de ambientes interiores, quanto a presença de bactérias, coletadas em diferentes pontos da cidade de São Paulo. Embora não tenham sido encontrados sinais de contaminação por bactérias do gênero Legionella em reservatórios naturais de água, estes foram verificados em sistemas artificiais de climatização em elevada prevalência, com predomínio da espécie Legionella pneumophila.

Diante destas circunstâncias, tais resultados sinalizam para a importância da limpeza e manutenção dos sistemas de refrigeração e climatização dos ambientes fechados, tendo em vista a redução da incidência da doença. A falta de limpeza periódica pode acarretar o acúmulo de fungos e bactérias nocivos à saúde.

Em agosto de 2009, o Departamento Nacional de Qualidade do Ar, da Associação Brasileira de Ar Condicionado, desenvolveu um estudo cuja proposta era analisar amostras de material retirado de aparelhos de ar condicionado de 12 mil empresas em todo o país. Os resultados revelaram uma realidade bastante preocupante, à medida que foi constatado que 19% das amostras continham quantidades de microrganismos nocivos ao ser humano acima do recomendado. Além disso, em 18% dos ambientes analisados havia um elevado índice de dióxido de carbono, o que atenta para a pouca ou quase nenhuma renovação do ar.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s