Identificado anticorpo humano capaz de neutralizar vírus da Dengue em até duas horas

Neste mês de junho, cientistas da Universidade Nacional de Singapura publicaram um estudo na revista Science Translational Medicine, cujo principal resultado foi a identificação de um anticorpo humano capaz de neutralizar e matar o vírus da Dengue em até duas horas. O anticorpo extraído de pacientes recuperados da infecção, acompanhados ao longo dos últimos dois anos, pode ser uma importante ferramenta favorável ao controle da doença, que mata mais de 20 mil pessoas por ano em todo o mundo.

Em experimentos com camundongos, o anticorpo recombinante isolado em humanos foi capaz de reconhecer e se ligar a uma proteína específica localizada na superfície do vírus, neutralizando-o. Esta ligação com o anticorpo torna o vírus incapaz de infectar novas células, o que causa sua destruição em menos de duas horas. Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, pois dependem de uma célula hospedeira para sobreviver e se multiplicar.

A Dengue é uma doença febril aguda que pode assumir um curso benigno ou grave, dependendo da forma como se manifeste: infecção inaparente, Dengue Clássico (DC), Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) e Síndrome do Choque da Dengue (SCD). Constitui um dos principais problemas de saúde pública no mundo, sendo considerada a mais importante arbovirose (doença transmitida por vetores artrópodes, por exemplo, mosquitos) que afeta os seres humanos.

A doença é causada por um arbovírus do gênero Flavivírus, sendo conhecidos quatro sorotipos: DENV 1, DENV 2, DENV 3 e DENV 4. O vírus é transmitido aos seres humanos pela picada de mosquitos do gênero Aedes. A espécie Aedes aegypti é a mais importante na transmissão da doença, sobretudo nas Américas, podendo também ser transmissora da Febre Amarela urbana. Porém, a espécie Aedes albopictus aparece como o principal transmissor da Dengue na Ásia, podendo também atuar como vetor do vírus Chikungunya, agente etiológico de outra importante arbovírose presente no continente, a Febre Chikungunya.

De fato, a eliminação do mosquito vetor tem sido considerada a principal medida destinada à prevenção e controle da doença. No entanto, a detecção e consequente eliminação dos criadouros do mosquito, tanto nas áreas domiciliares, quanto nas peridomiciliares, representa um dos principais desafios para as políticas públicas de saúde nos países endêmicos.

Em geral, a doença é auto-limitada e o período de incubação varia de 3 a 15 dias. Em seguida, surgem os primeiros sintomas, que são em geral: febre; dor de cabeça; prostração; dores musculares, nos olhos e nas articulações e; exantema (microerupções cutâneas difusas) acompanhadas de prurido (sensação de coceira) ou não. No entato, a doença tende a aumentar a permeabilidade capilar e o extravasamento plasmático, podendo resultar em complicações que vão desde eventos hemorrágicos, derrames cavitários e alterações neurológicas, até o choque por hipovolemia, principal causa de mortalidade da doença.

Atualmente não existe tratamento específico para a doença. No entanto, é consenso que a implementação de condutas adequadas frente ao manejo clínico do indivíduo doente são capazes de minimizar o risco de complicações, aumentando a chance de um prognóstico favorável. Tais condutas têm como propostas: garantir uma reposição hidroeletrolítica adequada, conforme o estadiamento da doença; monitorar os sinais de alerta para iminentes complicações; garantir o acompanhamento do indivíduo na unidade de saúde conforme o nível de complexidade exigido e; assegurar o diagnóstico rápido e oportuno, dentre outros.

Portanto, os avanços obtidos através do estudo singapuriano estão sendo comemorados à medida que abrem as portas para o desenvolvimento inédito de um tratamento destinado à doença. Logo, pesquisadores que participaram do estudo estão otimistas em relação aos resultados alcançados, tendo em vista que, por ser um anticorpo “totalmente” humano, é razoavelmente provável que uma terapia empregando tais proteínas seja isenta de efeitos colaterais graves. Neste momento, tais pesquisadores planejam um ensaio clínico para os próximos meses e esperam que uma terapia eficaz esteja disponível nos próximos 6 a 8 anos. É aguardar e conferir!

Tenha acesso ao resumo da publicação intitulada The Structural Basis for Serotype-Specific Neutralization of Dengue Virus by a Human Antibody, de Ping Teoh e colaboradores, acessando a página da revista Science Translational Medicine no link:

 http://stm.sciencemag.org/content/4/139/139ra83

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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