Surto de Ebola deixa 16 mortos em Uganda

O mais recente surto envolvendo o vírus Ebola já deixou um saldo de 16 pessoas mortas em Uganda, além de outras 50 possivelmente infectadas, segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado nesta sexta-feira (03/08). O novo surto foi detectado no mês passado, na região de Kibale, a 200 km da capital Kampala e a 50 km da fronteira com a República Democrática do Congo (antigo Zaire), onde o vírus foi detectado pela primeira vez em 1976, próximo ao Rio Ébola.

Embora o surto esteja limitado ao extremo oeste do país, países vizinhos, como Quênia, Ruanda, Sudão do Sul e Tanzânia, já emitiram alerta à suas respectivas populações para que notifiquem às autoridades de saúde qualquer caso com sintomas semelhantes aos provocados pelo Ebola. De fato, a grande preocupação por parte das autoridades sanitárias recai sobre a inexistência tanto de uma vacina eficaz, quanto de um tratamento específico, que dependendo da cepa viral envolvida, pode alcançar uma taxa de letalidade de até 90% dos casos.

A transmissão do vírus ocorre exclusivamente a partir do contato direto com secreções e sangue dos indivíduos infectados. Populações africanas são atingidas em grande número devido aos hábitos culturais difundidos na maioria das aldeias, onde é comum lavar o corpo dos mortos manualmente antes do sepultamento. Logo, o combate a esta prática secular tem sido um dos principais desafios para conter a propagação do vírus.

A infecção pelo vírus produz uma espécie de febre hemorrágica, cujo período de incubação varia em torno de 5 a 12 dias. O vírus multiplica-se nas células do fígado, baço, pulmões e tecidos linfáticos, onde os danos podem se tornar irreversíveis. Os sintomas incluem febre súbita intensa, fraqueza, dor muscular, de cabeça e de garganta, seguida de vômitos, diarreia, erupções cutâneas, os quais evoluem, na maioria das vezes, para injúria renal e hepática, além de hemorragia interna e externa.

Em Uganda, o Ebola havia sido detectado pela última vez em maio do ano passado, resultando na morte de uma menina de 12 anos. No ano 2000, o país vivenciou o pior surto de Ebola em sua história, quando 450 pessoas foram infectadas e mais da metade sucumbiu à doença.

Em dezembro do ano passado, cientistas da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, anunciaram a descoberta de um importante mecanismo para a criação de uma vacina contra o Ebola. Considerando que os surtos da doença são localizados, passageiros e imprevisíveis, a equipe liderada pelo pesquisador Charles Arntzen propôs um modelo incomum de proteção vacinal. Ao invés de aplicada na infância, as doses da vacina seriam tomadas apenas durante a ocorrência da doença. No entanto, tal estratégia necessitaria de um estoque considerável de vacina.

Diferentemente da maioria das vacinas candidatas em estudo, cuja utilização de vírus vivos geneticamente modificados requer elevado custo para armazenamento, a vacina desenvolvida no Arizona utiliza apenas a folha do tabaco para garantir um quantitativo adequado em estoque. Neste sentido, a introdução de um fragmento de DNA do vírus vacinal na folha do tabaco surge como uma alternativa simples e barata, além de permitir uma produção esporádica, em consonância com o perfil epidemiológico da doença. O estudo foi publicado no final do ano passado na revista científica Proceedings of the National Academy os Sciences (PNAS), o qual pode ser conferido na íntegra acessando o link abaixo:

http://www.pnas.org/content/108/51/20695.full.pdf+html?sid=31ae451b-e7ea-4a84-a529-27928ec7b025

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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