Breve discussão acerca dos alérgenos de baratas, Hymenópteros e Ácaros

Alérgenos são substâncias capazes de provocar reações alérgicas. Na prática, são alterações morfofisiológicas oriundas de uma resposta exacerbada do sistema imunológico, ocorrida quando um indivíduo susceptível entra em contato com determinado alérgeno. De fato, constituem um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e no mundo.

Os alergenos são, em sua maioria, proteínas solúveis em água ou glicoproteínas, de diâmetro em torno de 2 a 60 µm e baixo peso molecular, os quais frequentemente apresentam propriedades aerodinâmicas – são capazes de permanecer suspensos no ar. Comumente, exercem funções enzimáticas proteolíticas, induzindo o aumento da permeabilidade das mucosas, o que facilita sua penetração e desencadeamento dos sintomas em indivíduos susceptíveis (alérgicos). Diversas espécies contribuem para a dispersão destas substâncias no meio, dentre as quais, as baratas e os ácaros, bem como os representantes do gênero Hymenóptero (abelhas, besouros e vespas).

Historicamente, as baratas são consideradas uma das principais pragas urbanas de difícil controle. Além de carrearem diversos microrganismos (vírus, bactérias, fungos, etc) em suas patas e corpo, contribuindo para a disseminação de inúmeras doenças e agravos, podem causar reações alérgicas devido a grande quantidade de antígenos que liberam no meio ambiente.

Uma vez inaladas, substâncias liberadas pelas baratas podem provocar diversos tipos de crises alérgicas, tais como: rinites, asma e dermatite atópica. Recentemente, cientistas americanos provaram que, após a eliminação total das baratas e limpeza de um determinado recinto, os níveis de alérgenos caem em até 91%. Porém, a quantidade de antígenos que ainda persistem no ambiente é suficiente para induzir manifestações alérgicas importantes.

Por outro lado, as reações alérgicas envolvendo picadas de insetos são comuns e, às vezes, representam um problema médico importante. Graves consequências associadas a picadas de insetos são estimadas em torno de 0,3 a 3%. Dentro do gênero Hymenóptero, por exemplo, existem dois subgrupos de importância médica, no contexto das reações de hipersensibilidade: a grande família Apoidea, representada pelas abelhas e besouros, e a grande família Vespoidea, as quais compreendem as vespas, vespões e vespas de revestimento amarelo.

Em geral, as abelhas só picam quando são provocadas. Durante o processo de picada, as abelhas perdem seu aparelho picador, o que resulta em esvicerações e morte do inseto. Já as vespas, geralmente, constroem seus ninhos embaixo de telhados e vigas, enquanto que as vespas de revestimento amarelo o fazem no interior de fenestras em paredes ou embaixo de pedras. Comumente, tais insetos podem atacar em grupo picando várias vezes, uma vez que não perdem seu aparelho picador durante o ataque.

A composição do veneno dos representantes deste gênero é complexa, mesclando substâncias antigênicas e farmacologicamente ativas. Embora na maioria dos casos as manifestações sejam autolimitadas, alguns casos podem evoluir com reações sistêmicas graves, como no choque anafilático, necessitando de intervenção médica imediata.

Clinicamente, manifestações brandas envolvem dor local, acompanhada de edema (inchaço) e eritema (vermelhidão). Reações graves são caracterizadas por anafilaxia, cujas manifestações englobam diminuição severa da pressão sanguínea, taquicardia compensatória, distúrbios gerais de circulação, edema de glote e, posterior insuficiência respiratória. Portanto, a causa mais frequente de morte é a obstrução do trato respiratório.

De fato, são várias as espécies de ácaros capazes de provocar reações alérgicas, cujo habitat é bem conhecido. São encontrados nas poeiras dos domicílios humanos, presentes em cortinas, carpetes e tapetes de fibras naturais, colchões, roupas de cama, assoalhos e rodapés. Nestes locais, estes artrópodes se desenvolvem e se reproduzem com certa facilidade, desde que hajam condições climáticas adequadas e não falte comida, em geral, representada por fungos e descamações da pele de animais domésticos e humanos.

Entre lençóis e colchões, o corpo humano fornece, através da transpiração e do calor, respectivamente, umidade e temperatura ideais para a sobrevivência dos ácaros. Ademais, as descamações epiteliais do homem, efetuadas principalmente durante a noite, mantém uma fonte alimentar constante. Portanto, a poeira domiciliar representa um verdadeiro ecossistema, onde são encontradas substâncias inorgânicas, vibras vegetais, pêlos de animais (lã), fungos e restos de insetos, além dos ácaros.

Dos resíduos deixados pelos ácaros no ambiente, restos do metabolismo são eliminados sob a forma de pequenas “bolotas fecais” envoltas por uma membrana periférica que se rompe em contato com o ar atmosférico. Recentemente, cientistas britânicos demonstraram que antígenos liberados através deste mecanismo são 65% mais potentes que o próprio corpo do ácaro. Sendo muito mais leves, tais “bolotas fecais” são facilmente dispersas no ambiente e inaladas pelo homem durante o contato com a poeira, quando comparado ao ácaro vivo íntegro ou sua carapaça (cadáver). Além disso, os sintomas mais comuns associados à inalação de ácaros e seus resíduos são: nariz entupido, coriza, espirros (principalmente pela manhã), olhos lacrimejantes, prurido (coceira), tosse e “chiado” no peito.

Tendo em vista a recorrência das reações alérgicas na população mundial, bem como as diversas formas de propagação e dispersão dos antígenos alergênicos, segue abaixo algumas dicas para reduzir a incidência destes eventos:

  • Evitar lugares próximos a colméias e vespeiros;
  • Evitar locais de desperdícios e acúmulo de lixo;
  • Promover limpeza e saneamento dos ambientes;
  • Evitar roupas de cores fortes, tampouco loções ou perfumes intensos, sobretudo com odor de flores;
  • Desumidificação dos ambientes seja através da ventilação ampla dos locais, ou por intermédio de aparelhos desumidificadores ou de ar condicionado (climatização);
  • Remoção frequente da poeira dos ambientes domiciliares;
  • Utilização de filtros nos sistemas de ventilação central;
  • Rigorosa higiene pessoal e ambiental, incluindo dos animais domésticos e;
  • Quando necessário, utilização de inseticidas biodegradáveis à fim de reduzir e eliminar populações de vetores.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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