Febre do Nilo Ocidental ameaça população no sul dos Estados Unidos

Neste ano, a Região Sul dos Estados Unidos tem enfrentado um grave surto de Febre do Nilo Ocidental (WNF, sigla em inglês). Atualmente, quase todo o país luta contra o maior surto da doença desde 2004. De acordo com o CDC (Center for Disease Control and Prevention), 42 dos 50 estados norte-americanos relataram a ocorrência de casos da doença, incluindo infecções em humanos, aves e artropodes. Todavia, 80% dos casos humanos foram relatados em três estados do sul do país: Texas, Misssissippi e Oklahoma.

No estado do Texas, foram registrados 381 casos de WNF, incluindo 17 mortes. Somente em Dallas, maior condado do Texas e nona maior cidade dos Estados Unidos, foram registrados 10 óbitos. Já no estado de Louisiana, o Departamento Estadual de Saúde decretou, no último dia 13, estado de emergência por causa da doença que já atingiu 68 pessoas, provocando 06 mortes. Além disso, mais da metade dos casos detectados em Louisiana evoluiram para a forma neuroinvasiva, ou seja, mais grave da doença.

De acordo com o CDC (Center for Disease Control and Prevention, sigla em inglês), neste ano, foram notificados 693 casos em todo o país, além de um total de 26 mortes. Em 2011, o país havia registrado 712 casos e 43 óbitos, dos quais 27 casos e duas mortes ocorreram no Texas.

O Vírus do Nilo Ocidental (WNV, sigla em inglês) foi detectado pela primeira vez na América do Norte em 1999, em Nova York. Trata-se de um representante do gênero Flavivirus, o qual é comumente encontrado na África, Ásia Ocidental, Oriente Médio, Europa e, mais recentemente nas Américas – casos humanos nos Estados Unidos e casos em animais na Colômbia, Venezuela, Argentina e Brasil.

O vírus é capaz de infectar humanos, equinos, aves e outros mamíferos. Porém, algumas espécies de aves ocupam papel importante como principal reservatório e amplificador do vírus, tendo em vista a tendência em manter uma taxa de viremia elevada e prolongada, servindo como fonte de infecção para os vetores, os mosquitos do gênero Culex. Além disso, mosquitos das espécies Aedes albopictus e Anopheles, presentes em diversos países, incluindo o Brasil, são considerados vetores potenciais da doença.

Em geral, o período de incubação varia de 3 a 14 dias. Os primeiros sintomas da doença são febre acompanhada de mal-estar, anorexia, náuseas, vômitos, dor nos olhos e de cabeça. Nos casos graves, pode ocorrer encefalite, doença neurológica que pode levar à morte, sobretudo quando se desenvolve em pessoas com idade avançada. De acordo com o CDC, 4 em cada 5 pessoas portadoras do vírus permanecem assintomáticas e/ou oligossintomáticas.

A infecção cerebral foi detectada pela primeira vez em 1937, em Uganda. Já a primeira epidemia ocorreu na década de 50, em Israel, quando o vírus foi apontado como causador de uma meningoencefalite severa. A partir de então, a ocorrência de surtos foi detectada novamente em Israel, assim como na Índia, Egito e em outros países africanos. Em 1974, a África do Sul foi palco da maior epidemia da doença já registrada. Na década de 90, alguns países relataram surtos da doença, tais como: Argélia (1994), Romênia (1996-1997), República Tcheca (1997), República Democrática do Congo (1998), Rússia (1999) e Israel (2000).

Nos Estados Unidos, a doença vem sendo notificada desde 1999. Em 2002, foram registrados 4.156 casos com 284 óbitos; em 2003 ocorreram 9.862 casos com 264 óbitos; em 2004 foram 2.539 casos com 100 óbitos e; em 2008 foram contabilizados 1.338 casos, incluindo 43 mortes, provenientes de 43 estados.

Em agosto do ano passado, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou, pela primeira vez no Brasil, a presença do vírus do Nilo Ocidental. Pesquisadores da fundação identificaram anticorpos contra a ameaça em cinco cavalos da região do Pantanal. A descoberta representou um importante indício de que mosquitos infectados, responsáveis por espalhar a doença, já estejam circulando no país.

Segundo os pesquisadores, nenhum dos cavalos flagrados com anticorpos contra o vírus tinha sido levados ao exterior, fato que descarta a possibilidade de serem casos importados. No entanto, até então não há relatos de infecção humana pelo vírus tanto no Brasil, quanto na América do Sul.

Segundo veterinários da Fiocruz, a vigilância para detecção do vírus já existe desde 1999 na América Central e em alguns países da América do Sul, quando o parasita foi identificado pela primeira vez nos Estados Unidos. Embora países como Colômbia, Venezuela e Argentina já houvessem apresentado evidências da passagem do vírus no continente, o trabalho de identificação no Brasil apenas começou em 2006.

Ainda que o controle da população de mosquitos vetores, a proteção individual dos animais contra a hematofagia (ato de alimentar-se de sangue, típico dos insetos que espalham a doença) e a imunização dos hospedeiros contribuam para o enfrentamento da doença, tais estratégias tem sido implementadas de maneira insipiente no país. Mesmo com as táticas de controle, garantir a eliminação do vírus pode não ser uma tarefa tão simples, uma vez que estratégias destinadas a interromper ciclos de transmissão de parasitas em áreas silvestres sempre foram um grande desafio para às políticas públicas de saúde no Brasil.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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