Parque Nacional da Califórnia é interditado após as mortes de dois turistas por Hantavirose

Nesta semana, a confirmação de dois casos fatais de Hantavirose fez com que as autoridades públicas de saúde norte-americanas interditassem o Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia. Conhecido no país por causa de alguns dos seus perigos, tais como ursos, quedas d’água e penhascos, responsáveis pela morte de 18 pessoas somente no ano passado, atualmente, o parque expõe uma grave ameaça a seus frequentadores, o Hantavírus.

Localizado nas montanhas da Serra Nevada, o parque nacional tem sido amplamente visitado nos últimos anos. Estima-se que, a cada ano, aproximadamente 4 milhões de pessoas, oriundas das mais diversas partes do mundo, tenham visitado o local. Ademais, cerca de 70% dos visitantes permanecem hospedados em determinados setores hoteleiros ao longo de sua extensa área (3.081 km2), conhecidos como “cabines”.

Embora o aumento na demanda de visitantes tenha alavancado a economia do parque nos últimos anos, esta tendência tem gerado sérias consequências para a saúde pública local, sobretudo, em relação ao incremento da poluição e acúmulo de lixo. Diante destas circunstâncias, o manejo dos ambientes com intuito de reduzir as condições favoráveis à proliferação de vetores, em especial de roedores, tem sido um dos principais desafios para as políticas de saúde implementadas na região.

Logo, não há como se surpreender com a constatação de que, pelo menos, 91 cabines de hospedagem inspecionadas possuíam indícios da presença massiva de roedores. Dentre as doenças transmitidas por ratos, destaca-se uma das principais antropozoonoses virais agudas, a Hantavirose.

Nas Américas, a Hantavirose é considerada umas das mais graves doenças emergentes, a qual se manifesta de diferentes formas, desde uma patologia febril aguda inespecífica até quadros pulmonares e cardiovasculares mais graves. De acordo com o CDC (Center for Disease Control and Prevention) norte-americano, a taxa de letalidade da hantavirose americana pode alcançar até 50%.

Transmitida ao homem através de partículas virais eliminadas nas fezes e urina de roedores domésticos e silvestres, a doença leva em torno de 2 a 3 semanas para se manifestar. Os sintomas incluem febre, tosse, vômitos, cefaléia e dores musculares, além de alterações pulmonares, renais e cardiovaculares nas formas mais graves.

Em relação às duas mortes registradas entre turistas do parque, ambas as vítimas desenvolveram a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS, sigla em inglês) – forma mais grave da doença. Além da Califórnia, diversos estados norte-americanos têm enfrentado surtos e “microsurtos” da doença, dentre os quais, Montana e Pennsylvania. Desde 1993, quando o primeiro caso de HPS foi detectado, ocorreram 587 notificações em todo o país, dos quais 60 ocorreram somente no estado da Califórnia.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s