28 de Setembro é o “Dia Mundial contra a Raiva”

Comemorado todo o dia 28 de Setembro, desde 2007, o “Dia Mundial contra a Raiva” é uma iniciativa da Aliança para o Controle da Raiva (ARC, sigla em inglês). Fundada em 2005, na Escócia, a ARC vem estabelecendo parceria com entidades de saúde do mundo todo, com o intuito de realizar programações que envolvem o alerta, esclarecimento e conscientização acerca dos impactos oriundos da doença e reforçar suas estratégias de prevenção, agregando esforços para o enfrentamento do agravo, seja advindos de especialistas na área de saúde humana e veterinária, seja por parte da população leiga. Tal iniciativa conta com o apoio da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Estima-se que em suas três primeiras edições, o “Dia Mundial contra a Raiva” tenha sido responsável pela vacinação de mais de 3 milhões de cães e o esclarecimento de quase 100 milhões de pessoas em 125 países. Neste contexto, dezenas de nações, incluindo o Brasil, vem promovendo, nos últimos anos, campanhas de vacinação em massa em animais domésticos, além de outras atividades, como palestras e distribuição de materiais educativos voltados para o combate à doença. Todavia, a Raiva continua a ser um dos principais problemas de saúde pública no país e no mundo.

Trata-se de uma doença infecciosa viral que afeta, exclusivamente, animais mamíferos. Esta importante zoonose tem como agente etiológico um RNA vírus pertencente à família Rhabdoviridae, gênero Lyssavirus, presente na saliva de animais doentes. Este, ao morder ou lamber mucosas ou regiões de feridas, pode transmitir o vírus a outro indivíduo sadio, incluindo o homem.

No caso da Raiva Humana, os cães são os principais reservatórios da doença. Eventualmente, animais como raposas, lobos, antílopes, gambás, furões e morcegos – este último, mais recorrente -, dentre outros, também podem transmitir a doença ao homem. Entre humanos, a única forma de transmissão descrita na literatura científica é a que ocorre via transplante de córnea.

As formas de prevenção incluem, principalmente, a vacinação anual de cães, gatos e animais de pasto; os métodos envolvendo controle populacional de animais errantes e de morcegos e; o uso da vacina preventiva em pessoas suscetíveis (biólogos, veterinários e camponeses, dentre outros). Nos casos de acidentes envolvendo animais potencialmente transmissores é imprescindível que a vítima lave o local do ferimento apenas com água e sabão e procure imediatamente assistência médica para iniciar o tratamento profilático com esquema vacinal ou imunoglobulina humana antirrábica. Além disso, é fundamental que não haja interrupção na cadeia do tratamento, cumprindo-se todas as etapas.

Inicialmente, a doença se desenvolve a partir de sintomas inespecíficos, tais como: mal estar, febre e dores de cabeça. Em seguida, começam a surgir graves alterações neurológicas, as quais envolvem: ansiedade, agitação psicomotora, agressividade, confusão mental, paralisia, convulsões, espasmos musculares e dificuldade de deglutir. Na maioria das vezes, estes sintomas duram, em média, 10 dias, antes de se suceder o óbito – até 2004, apresentava uma letalidade de 100%.

O ano de 2004 foi marcado pelo primeiro registro de cura da doença em um paciente previamente não vacinado. Desenvolvido pelo médico norte-americano Rodney Willough Jr. e, publicado logo em seguida nos Estados Unidos, o Protocolo Milwalkee, como passou a ser chamado este tipo de tratamento, consistia na promoção de duas importantes condutas clínicas: a sedação profunda (coma induzido) e o uso de antivirais. Até então inédito, este tratamento trouxe uma possibilidade de cura para uma doença até então considerada letal. Até 2008, dos 16 casos em que havia sido aplicado o novo protocolo, em apenas dois deles foi obtido sucesso – um jovem norte-americano e um adolescente pernambucano.

Embora a falta de tratamento após exposição viral resulte em grave comprometimento do Sistema Nervoso Central (SNC) que, na maioria das vezes, leva rapidamente ao óbito, o vírus pode permanecer latente por tempo indeterminado, visto que o período de incubação varia, em média, de um mês a dois anos. Todavia, têm sido cada vez mais recorrentes na literatura publicações descrevendo períodos de incubação prolongados, em torno de 14 a 19 anos, sobretudo, em acidentes envolvendo cães.

Recentemente, a publicação de novas evidências tem provocado uma profunda revisão acerca de tudo àquilo que até então se sabia sobre a Raiva. A partir destas circunstâncias, é possível constatar as mudanças no padrão de comportamento do vírus imprimidas ao longo dos últimos anos. Logo, a divulgação de dois importantes estudos, publicados neste ano, fomentaram grandes discussões a respeito do tema.

No início da semana passada, um relato de caso raro de Raiva, publicado nos anais da Academia Indiana de Neurologia, causou grande repercussão entre cientistas e autoridades de saúde do mundo todo. Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Goa, relataram um óbito ocasionado pela doença 25 anos após a exposição ao vírus pela mordedura de um cão infectado. A vítima era um homem de 48 anos, falecido em 2009 e morador de Karnataka, estado localizado no sudoeste da Índia.

Já em agosto, um artigo publicado na revista científica The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene anunciou a detecção de indivíduos com imunidade natural à Raiva em comunidades expostas aos morcegos-vampiros na região amazônica do Peru. Ao estudar povoações remotas da Amazônia peruana sob risco de contrair a doença destes mamíferos, pesquisadores ligados ao Ministério da Saúde peruano, em parceria com os Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, sigla em inglês), detectaram que 11% das pessoas examinadas demonstraram evidências  de anticorpos contra o vírus da Raiva. Dentre elas, apenas uma pessoa informou ter sido previamente vacinada.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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