Lições do “Brics” abrem o II Simpósio Global em Pesquisas dos Sistemas de Saúde

Teve início na última quarta-feira (31/10), em Pequim na China, o II Simpósio Global em Pesquisas dos Sistemas de Saúde. Sob o tema “Lições do Brics”, a plenária foi aberta com as discussões acerca das políticas de saúde implementadas nos últimos anos, nos países membros signatários do grupo político de cooperação denominado “BRICS” – termo que faz alusão as iniciais de cada um dos Estados-Membros (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Durante o encontro, representantes das nações partidárias descreveram a situação em seus territórios desde que adotaram o sistema de acesso universal à saúde. Segundo a moderadora de um dos painéis, a pesquisadora Anne Mills, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, “o simpósio nos dá a oportunidade de elucidar como os países podem melhorar seu sistema de saúde e garantir a todos um bom acesso a uma saúde de qualidade”.

Em meio a primeira sessão do evento, o Diretor de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Jailson Correa, afirmou que o Brasil é o único país no mundo onde 100 milhões de pessoas são contempladas com o acesso gratuito a um programa de saúde. Além disso, o representante brasileiro revelou que a esperança de vida do brasileiro aumentou de 67 anos, em 1990, para 73,4 anos em 2012. Por outro lado, em uma perspectiva mais recente, a taxa de mortalidade materna decresceu surpreendes 21% entre 2010 e 2011.

Embora tenham sido observados diversos avanços, o Brasil ainda não conseguiu superar alguns de seus velhos problemas. Um deles, é a escassez de profissionais de saúde, o que pode ser exemplificado pelo fato que para cada 1 mil pessoas, existem 1,83 médicos. Somente na Argentina, país que enfrenta problemas semelhantes em relação a cobertura no sistema de saúde, existem 3,16 médicos para a mesma quantidade de pacientes.

Outra questão importante levantada por Correa foi a “igualdade em termos de acesso e sustentabilidade a longo prazo”, tendo em vista que quanto maior a quantidade de pessoas, maiores as despesas com o setor saúde. Para o representante brasileiro, a resolução desta situação pressupõe entender a saúde enquanto forma de desenvolvimento, ou seja, como parte de um sistema econômico complexo em que as despesas tecnológicas e de recursos são integradas.

Já em relação a China, o professor Wang Longde, da Universidade de Zhejiang, revelou que o país tem registrado um aumento significativo das doenças crônico-degenerativas. O principal desafio para as autoridades de saúde chinesas é a mudança de paradigma em relação ao enfrentamento destas doenças, cuja lógica curativa vem prevalescendo ao longo dos anos em detrimento ao ideal de prevenção. Tentando modificar esta mentalidade, atualmente 15 ministérios chineses trabalham em conjunto na elaboração e implementação de um Plano de Prevenção destes males, cujo alvo é a população composta por pessoas acima de 40 anos, acrescentou Longde.

A seguir, Matsoso Precious, Diretora Geral de Saúde da África do Sul, afirmou que o país enfrenta grandes disparidades em relação aos indicadores de saúde. Embora a expectativa de vida tenha saltado de 56,5 anos em 2009 para 60 anos em 2011, e os custos com a saúde atualmente representem apenas 8,3% do PIB, a taxa de mortalidade materna aumentou de 310 para 333 no mesmo período. Precious acrescentou que o país ainda sofre com as elevada taxas de doentes com HIV, dos quais 1,7 milhão estão sendo tratados. “Desde que começamos a tratá-los em 2009, eles começaram a viver mais tempo e a transmissão da Aids de mãe para filho se reduziu de 8% para 2,7%, portanto há uma grande melhora no tratamento, mas como estas pessoas aumentaram precisamos de mais recursos para mantê-los vivos”, explicou. “Queremos criar uma Fundação Nacional de Seguro de Saúde para que as pessoas tenham acesso a uma boa saúde onde quer que estejam”, complementou.

Por sua vez, o presidente da Fundação de Saúde Pública da Índia, Reddy Srinath, contou que seu país lançou recentemente um sistema de acesso universal à saúde, entendido como uma reforma e necessidade “urgente”. Na Índia, estima-se que 18% da população que vive nas áreas rurais e 10% nas zonas urbanas são desprovidas de qualquer tipo de atendimento médico. Por outro lado, estima-se que 60 milhões de pessoas se encontrem em situação de pobreza após assumir despesas de saúde.

Finalmente, Danishevskiy Kirill, representante do Instituto de Altos Estudos de Economia da Rússia, lamentou as mudanças do sistema de saúde russo após o fim da União Soviética: o país foi o primeiro a oferecer um sistema de saúde gratuito entre 1918 e 1965, porém, a realidade atual revela que mais de 30% dos Planos de Saúde são pagos. Complementando, Danishevskiy reforçou a necessidade de um compromisso do governo russo para melhorar a situação do setor saúde no país.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s