Intolerância à Medicina Ocidental já levou à morte 25 vacinadores de campanhas contra a Pólio

soldadosO ato de vacinar crianças contra a Poliomielite tem sido cada dia mais perigoso, a medida que tem custado à vida de vários profissionais de saúde em países endêmicos – Afeganistão, Paquistão e Nigéria. Desde dezembro, ao menos 25 vacinadores foram assassinados nestas nações.

Em consequência, a escalada de violência e de ataques aos serviços de saúde levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a suspender seu programa de vacinação no Paquistão para erradicar a doença. Com medo, profissionais de saúde estão abandonando seus locais de trabalho por conta dos atentados.

Sem dúvidas, o principal entrave para a implementação das ações de saúde nestes locais é a crença de grupos religiosos extremistas, como o Talibã, que acreditam que tais campanhas de vacinação não são mais do que estratégias ocidentais para obter informações internas dos mesmos. Logo, nestes países, cada vez mais tem sido difundida a ideia da utilização da medicina ocidental contra o islã.

De fato, tal desconfiança aumentou muito nos últimos anos. Como agravante, em maio de 2011, uma campanha falsa de vacinação contra a Hepatite foi implementada pelo Serviço Secreto de Inteligência norte-americano (CIA, sigla em inglês) para conseguir pistas sobre o paradeiro do terrorista Osama Bin Laden, no Paquistão. Por conseguinte, tal investida foi alvo de grande descontentamento por parte das lideranças islâmicas.

No entanto, o medo de espionagem não é o único motivo que alimenta a desconfianças destes grupos armados. A falta de conhecimento acerca da magnitude da doença, bem como da eficácia da vacina, também tem sido base para intolerância.

Em Kano, cidade localizada no norte da Nigéria, nove mulheres que trabalhavam em uma campanha de vacinação contra a doença em dois centros de saúde foram mortas a tiros na semana passada. Alguns líderes muçulmanos nigerianos já haviam manifestado oposição à vacina, afirmando que a mesma é capaz de causar infertilidade. Autoridades policiais acreditam que os ataques tenham sido perpetrados pelo grupo radical islâmico Boko Haram, cujo nome significa “educação ocidental é proibida”, o qual opera no norte da Nigéria desde 2010.

No final do mês passado, dois profissionais de saúde que também trabalhavam em uma campanha de vacinação contra a Pólio foram mortos durante um atentado à bomba, em uma zona tribal afastada no noroeste do Paquistão. O artefato, de fabricação caseira, estava escondido em uma estrada da zona tribal de Kurram, na fronteira com o Afeganistão. O ataque ocorreu dois dias após outro incidente, também no noroeste, ter culminado na morte de um policial que fazia a escolta de um grupo de vacinadores. O incidente elevou para 18 o número de profissionais de saúde mortos no país, nos últimos dois meses, e que estavam envolvidos em atividades desta natureza – nove deles no noroeste e outros nove em Karachi, megalópole ao sul.

A Poliomielite ainda constitui um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Embora tenha sido erradicada na maioria dos países, a doença ainda é alvo de constante vigilância em áreas não-endêmicas, uma vez que prevalece o risco de reintrodução do vírus causador devido ao elevado número de pessoas que se deslocam para às áreas endêmicas. No ano passado, foram registrados 121 casos de Poliomielite na Nigéria, 58 no Paquistão e 37 no Afeganistão. Passados apenas 45 dias desde o início do ano e mais dois casos já foram confirmados, desta vez, ambos no Paquistão.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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