Caso de Raiva Humana no Piauí: alerta para o risco de criação de animais silvestres em cativeiro

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No mês passado, a Secretaria Municipal de Saúde de Parnaíba, região do litoral piauiense, registrou um óbito humano pelo vírus da Raiva. A vítima era um homem de 32 anos que havia sido mordido no dedo por um sagui (Callithrix sp.).

Segundo as investigações, ele tinha o hábito de capturar esses primatas para amansá-los e, posteriormente, vendê-los como animais de estimação na cidade. Como agravante, a procura pelo atendimento antirrábico somente ocorreu cerca de 20 dias após a agressão, já com sinais de dor e parestesia (sensações cutâneas sem estimulação prévia, tais como: formigamento, frio, calor, etc …) no braço direito. Alguns dias depois, ocorreu agravamento do quadro resultando em danos neurológicos irreversíveis.

Atendendo à solicitação da Secretaria de Saúde, veterinários do Centro de Triagem de Animais Silvestres do IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) no Piauí estiveram no local para orientar a população sobre os riscos de transmissão das zoonoses, dentre as quais a Raiva, associada a captura e criação ilegal de espécimes silvestres.

De acordo com o analista ambiental do setor de triagem do IBAMA, Fabiano Barbosa, a prática de capturar animais silvestres para vender é muito comum principalmente no interior do estado, e acarreta grande perigo à população, pois não há um controle e há pouco conhecimento sobre a Raiva transmitida por animais silvestres. “Nós temos um maior controle sobre o comportamento da doença transmitida por cães e gatos, já temos inclusive vacinas para prevenir a doença nesses animais. Já no caso dos animais silvestres é mais complicado. Não temos muita informação sobre o tipo de raiva transmitida por eles e isso acaba tornando ainda mais graves os casos de transmissão para humanos”, afirmou.

O fato serve de alerta à população local, uma vez que prova que o vírus da doença é circulante entre os animais silvestres da região. Logo, os cuidados devem ser redobrados para evitar que mais casos da doença sejam registrados. Além dos ricos à saúde, é crime, segundo a legislação brasileira, matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.

Dados do IBAMA mostram que, no período 2010-2011, um total de 424 pessoas buscaram atendimento antirrábico nas unidades de saúde piauienses, após serem agredidas por morcegos, raposas e primatas – animais silvestres nos quais o vírus da Raiva é mais comum. Por outro lado, Fabiano Barbosa alerta que, além da Raiva, há ainda cerca de 150 zoonoses capazes de serem transmitidas por animais silvestes ao homem.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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