Novas tecnologias ajudarão no combate ao Bioterrorismo

bioterrorism-1No atual momento em que ataques utilizando agentes biológicos como o Antraz deixaram o campo da ficção para invadir e aterrorizar o imaginário da população nas mais diversas partes do mundo, a Ciência tenta responder de maneira eficiente e proativa a esta nova demanda que se mostra cada vez mais recorrente. Frente a isto, não é difícil imaginar que num futuro próximo chips detectores de DNA, sensores de cheiro e analisadores compactos permitirão detectar e combater ameaças biológicas de maneira mais eficiente.

No entanto, ao compará-la com outros campos da Ciência, é possível verificar que a tecnologia para identificar ameaças biológicas não avançou tão rápido quanto os cientistas desejavam. Atualmente, as técnicas de análise e identificação destes eventos praticamente ficam confinadas a determinados ambientes controlados, como os laboratórios. Além disso, os resultados das análises muitas vezes se apresentam indefinidos ou contraditórios, o que faz com que alguns testes precisem ser refeitos.

Para Calvim Chue, pesquisador do Centro Johns Hopkins de Estudos de Biodefesa Civil, as tecnologias fundamentais realmente funcionam e permitem realizar diagnósticos e detecções precoces. Porém, na concepção de muitos especialistas em segurança nacional, tais avanços tecnológicos nesse campo podem não chegar a tempo de contemplar demandas emergentes. Por outro lado, existe a previsão de que novos testes e sistemas de monitoramento possam ser lançados nos próximos anos, dada a recente ampliação nos estudos e investimentos no campo de segurança pública para o enfrentamento de ameaças biológicas.

Assim, muitos destes experimentos estão sendo desenvolvidos pelo Laboratório Nacional Lawrence Livermore, localizado próximo à cidade de San Jose, região do vale do Silício, nos Estado Unidos. Lá, cientistas biomédicos e engenheiros combinam seus talentos para criar dispositivos para detecção de armas químicas e agentes biológicos que ofereçam risco à saúde.

Dentre os diversos projetos desenvolvidos, está o GeneChip, da Affymetrix, que consiste em um chip DNA que, quando inserido em um detector, é capaz de identificar e diferenciar o perfil genético de uma amostra. Nos últimos anos, esse método tem sido utilizado por laboratórios em todo o mundo para estudar desordens físicas variadas, como obesidade e envelhecimento, até doenças mais complexas, como câncer de mama e leucemia. Como exemplo, o laboratório Livemore está aplicando essa tecnologia para identificar inúmeros agentes biológicos, dentre eles o Antraz.

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Outro dispositivo importante que está sendo desenvolvido é o Handheld Advanced Nucleic Acid Analyzer (HANAA), um kit compacto na forma de um tijolo de 900 gramas que poderá ser utilizado por equipes de emergência em locais suspeitos de ataques bioterroristas. Essa tecnologia permitirá que agentes de saúde pública testem até quatro amostras por vez de vários materiais químicos ou biológicos. Desse modo, substâncias suspeitas podem ser analisadas, as quais podem incluir desde amostras de ar até de tecido humano.

De fato, a grande conquista do sistema HANNA consiste na sua utilização em trabalhos de campo, portanto, permitindo realizar testes laboratoriais nos locais críticos, onde o evento está sendo deflagrado. Com este sistema, resultados podem ser obtidos em até meia hora, o que permite agilizar a delimitação da área de perigo e o tratamento dos indivíduos expostos. Porém, sua limitação fica evidente quando este sistema se mostra incapaz de detectar agentes desconhecidos, visto que o mesmo trabalha com um banco de dados de agentes infecciosos previamente catalogados.

Por outro lado, diversos equipes de pesquisa também estão trabalhando naquilo que é considerado o dispositivo perfeito para combater ataques bioterroristas. O chamado The Autonomous Pathogen Detection System (Sistema Autônomo de Detecção de Elementos Patogênicos) é uma espécie de detector de fumaça capaz de identificar automaticamente o menor vestígio de agentes nocivos no ar, acionando um alarme em caso de emergência.

A grosso modo, este dispositivo funcionaria como um alarme doméstico formado por um computador e um sistema de coleta de ar composto por câmaras contendo reagentes químicos, sobretudo, anticorpos. Ao forçar a circulação do ar por entre estas câmaras, o dispositivo atuaria coletando partículas suspensas no meio e analisando sua origem. Os resultados, atualizados a cada 30 minutos, podem ser transmitidos via rede a uma central de análise capaz de disparar um alarme de emergência às autoridades competentes na ocorrência de ataques biológicos. A previsão é de que em, no máximo, quatro anos estes dispositivos possam ser instalados próximo aos sistemas de ventilação de auditórios, shopping centers, prédios comerciais e outros locais de aglomeração.

E finalmente, um impressionante projeto, que parece obra de ficção científica, é o Biological Aerosol Sentry and Information System (BASIS). Conforme seus idealizadores, o projeto consiste em uma rede de dispositivos coletores e analisadores de ar espalhados pela cidade, tanto em locais abertos, quanto em locais fechados. Nestes dispositivos, o ar do ambiente passaria por um filtro e os partículas suspensas seriam coletadas para análise em laboratório de campo, onde sofisticados testes de DNA podem ser realizados para identificar quais são os agentes biológicos presentes. A vantagem destes equipamentos é que, sendo portáteis, podem ser utilizados em áreas específicas, com risco iminente de ataques.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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