Proporção de casos de Mal de Chagas aflige moradores no Acre

0,,55741884,00

No interior do Acre, o município de Feijó foi palco de um surto de Doença de Chagas entre 2009 e 2010. Na mesma época, no bairro Pedro Roseno, também foi verificado elevado índice de infestação por besouros barbeiros, transmissores da doença. Desde então, o estado vive em alerta para que o Mal de Chagas não se torne uma epidemia, tendo em vista que na Região Amazônica circulam 16 espécies do inseto triatomíneo (barbeiro), hospedeiros do Trypanosoma cruzi (agente etiológico).

Ao comer jaci, uma espécie de coquinho, cinco moradores de Feijó contraíram a Doença de Chagas em 2010. Na ocasião, a contaminação ocorreu porque o fruto estava recoberto por fezes do besouro contendo o parasita, segundo informou Carmelinda Gonçalves, técnica em Leishmaniose e Doença de Chagas da Secretaria Estadual de Saúde (SESACRE). Em 2009, outro caso já havia sido registrado na zona rural de Feijó. Desta vez, envolvendo picada do barbeiro.

Há cerca de três anos, os moradores do Conjunto Pedro Roseno, na capital Rio Branco, ficaram assustados ao saber que o bairro foi identificado como uma das áreas mais infestadas pelo vetor no estado.  Na época, um inquérito sorológico foi realizado entre os moradores da localidade, onde apenas um caso foi confirmado. “O local onde o bairro foi construído era repleto de palheiras, moradia do barbeiro. Elas foram derrubadas à proporção que a população começou a construir as casas”, afirmou Francisca Beatriz, então presidente da associação de moradores do bairro. “Nós tomamos o espaço deles e não há como evitar esse tipo de ataque. Encontro o barbeiro todos os dias”, declarou a moradora.

infografico-chagas-thennyson-passos

O agravo foi descoberto em 1909 por Carlos Chagas, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, sendo descrito inicialmente em operários no interior de Minas Gerais. O Mal de Chagas é transmitido principalmente por insetos da subfamília Triatominae, conhecido popularmente como barbeiro. De hábito noturno, o vetor se alimenta exclusivamente de sangue de animais vertebrados. De acordo com a literatura tradicional, o inseto é encontrado em frestas de casas de pau a pique, em camas, colchões, depósitos, ninhos de aves, troncos de árvores e outros locais próximos à sua fonte de alimento.

Ao sugar o sangue de um indivíduo infectado, o inseto passa a carrear o protozoário, podendo transmiti-lo a outras pessoas. As picadas ocorrem geralmente na região do rosto. Ao penetrar no organismo, o parasita passa a viver, inicialmente, no sangue e, depois, nas fibras musculares, sobretudo, do coração, intestino e esôfago.

A transfusão de sangue contaminado e a transmissão de mãe para filho durante a gestação são outras formas de se contrair a doença. Vale destacar ainda a infecção oral, comumente associada ao consumo de caldo de cana ou açaí moído, acidentalmente, com o inseto infectado.

Durante a fase aguda da doença, podem surgir alguns sintomas tais como: febre, mal-estar, falta de apetite, dor ganglionar, inchaço ocular e aumento do baço (esplenomegalia) e do fígado (hepatomegalia). No entanto, existem casos em que a doença se apresenta de forma assintomática.

Durante a fase crônica, pode ocorrer grave lesão da musculatura dos órgãos atingidos (principalmente coração e cérebro), provocando hipertrofia destes, quase sempre, irreversível. Em muitos casos, apenas nessa fase a doença é percebida pelo paciente, podendo se manifestar décadas depois de o indivíduo ter sido infectado.

casa-pauapique

O diagnóstico pode ser feito através de exame de sangue (microscopia) ou pela presença de anticorpos no soro (sorologia). O tratamento visando a eliminação do parasita é comumente satisfatório durante o estágio inicial da doença, quando o tripanossoma ainda está circulando no sangue. Na fase crônica, o tratamento é direcionado principalmente para o controle dos sintomas e a prevenção de maiores complicações. Portanto, o controle populacional do barbeiro ainda é a melhor forma de se prevenir a ocorrência da doença.

Comum nas regiões Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, a doença foi considerada epidêmica, com o ritmo de transmissão elevada, durante os anos 1960. O contágio ocorre de forma esporádica e raramente atinge uma grande quantidade de pessoas em um curto espaço de tempo. Catadores de açaí, piaçava e cana-de-açúcar têm sido as principais vítimas do barbeiro.

Segundo o médico infectologista Thor Dantas, houve uma mudança nos hábitos do inseto vetor nos últimos anos. Ao contrário do que acontecia há alguns anos, o barbeiro não é corriqueiramente tão encontrado no interior das residências. Nessa mudança de cenário, o inseto adquiriu hábitos silvestres e passou a abrigar-se em palmeiras da Floresta Amazônica. Paralelamente, o número de espécies também se multiplicou na região. “O barbeiro não é mais aquele que habitava as regiões Centro-Oeste e Nordeste. São várias espécies dele”, sentenciou.

Os trabalhadores da floresta têm como hábito peculiar colher os frutos do açaizeiro durante o dia e preparar o produto à noite. É durante esse processo que o contágio pode acontecer. “O inseto se sente atraído pela claridade e acaba caindo nos caldeirões onde eles preparam a bebida. Quando isso acontece, o protozoário, alojado no organismo do barbeiro, contamina a bebida e, consequentemente, quem a consome”, acrescentou o especialista.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s