Falta de segurança faz MSF suspender ações de combate à Pólio na Somália

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Segundo alerta emitido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), há um grande risco de que a Somália sofra uma “epidemia explosiva” de Poliomielite a partir deste ano. O país lidera o ranking de nações com maior número de casos confirmados da doença neste ano – 105 confirmações até o último dia 16/08. Para agravar a situação, o grupo de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteira (MSF) anunciou a suspensão das ações de combate a doença no país em virtude dos constantes ataques brutais sofridos por seus integrantes.

Nas áreas controladas pela milícia islâmica Al-Shaabab, responsável pela maioria dos ataques a profissionais de saúde, sete em cada dez crianças não são vacinadas contra a Pólio. Até então, a doença era considerada endêmica em apenas três países: Nigéria, Paquistão e Afeganistão. Em fevereiro de 2012, a Índia se tornou a última nação a erradicar a doença em seu território.

Conforme divulgado pela agência de notícias Associated Press, pelo menos 10 dos 105 casos envolvendo somalianos foram detectados em um campo de refugiados no Quênia. Desde o início do ano, 191 casos de Pólio foram confirmados no mundo, a maioria em países africanos – Somália, Nigéria e Quênia.

Embora a campanha de vacinação, iniciada em Maio, tenha contemplado quatro milhões de pessoas na Somália, cerca de 600 mil crianças ainda se encontram em situação de vulnerabilidade, uma vez que estas vivem em áreas situadas na porção Central e ao Sul do país, então controladas por milícias islâmicas. Para exemplificar o tamanho da influência de tais grupos paramilitares, durante a grave seca e fome de 2011, o Al-Shaabab – entidade ligada à Al-Qaeda – proibiu violentamente o acesso de grande parte das agências e organizações humanitárias não-governamentais nestas áreas.

De acordo com Unni Karunakara, diretor-geral do MSF, quando a entidade iniciou seus trabalhos na Somália, há cerca de 22 anos, pelo menos 1.500 profissionais atuavam no país. “Hoje, tem sido cada vez mais difícil desenvolver os trabalhos no território”, afirmou o representante.

Somente neste ano, 16 membros da organização perderam a vida após sucessivos ataques a ambulâncias e instalações médicas. Recentemente, as investidas se tornaram cada vez mais constantes. “Isso é muito perturbador porque esta epidemia poderá ser explosiva”, comentou Oliver Rosenbauer, porta-voz da Iniciativa para Erradicação da Poliomielite, da OMS.

Há alguns anos, a Poliomielite é considerada uma doença em processo de erradicação. Enquanto que no ano passado as autoridades de saúde registraram 223 ocorrências no mundo, em 1988 este número atingia a impressionante marca de 350 mil casos. No entanto, algumas nações até então consideradas livres de circulação do poliovírus, começam a mostrar um retrocesso no processo de eliminação do agravo, tais como a Somália, que há seis anos não relatava qualquer tipo de evidência de caso.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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