Poliomielite volta a Síria e ameaça a Europa

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Na Síria, as péssimas condições sanitárias criadas pela guerra civil fizeram com que a Poliomielite regressasse após 14 anos. Tendo em vista o enorme contingente de refugiados rumo à Turquia e a outros países vizinhos, este fluxo migratório poderia trazê-la de volta à Europa, onde não há relato de casos desde 2002.

No último dia 29/10, a OMS confirmou a ocorrência de um surto da doença em Deir Al Zour, província localizada no nordeste do país, e uma das zonas mais fustigadas pela guerra. Segundo a entidade, das 22 crianças menores de dois anos diagnosticadas com Paralisia Flácida Aguda (PFA), 10 testaram positivo para um Poliovírus tipo 1. Todavia, ainda estão sendo aguardados os resultados dos outros 12 casos, conforme revelou Oliver Rosenbauer, porta-voz da entidade.

“É claro que essa é uma doença contagiosa, e com o movimento da população ela pode viajar para outras áreas. Então o risco é alto de que se espalhe pela região”, afirmou Rosenbauer. “Há uma grande probabilidade de que o vírus que causa a doença se alastre para os países vizinhos onde os refugiados da guerra procuram abrigo”, concordou o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

Recentemente, algumas áreas como o sul de Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza relataram a presença do poliovírus em amostras de esgoto. Especificamente em Israel, desde fevereiro, foram identificadas 42 pessoas com o vírus da Poliomielite nas fezes, porém, assintomáticas e vacinadas.  Todavia, as autoridades de saúde ainda não identificaram qualquer caso sintomático da doença nestes três territórios, tampouco confirmaram se o vírus encontrado é similar ao que circula na Síria.

A Europa, onde não há casos desde 2002, está ao alcance da doença, e vários países próximos das principais entradas de refugiados sírios no continente têm programas de imunização de fraca cobertura (ver mapa). O mesmo panorama é observado em países que não fazem fronteira com a Síria, mas que costumam acolher muitos refugiados, como o Reino Unido e a Alemanha, onde tem havido muita resistência à vacinação, devido a ideais sem fundamentação científica de que as vacinas podem causar cancro ou autismo. O resultado é um saldo atual de 12 milhões de crianças na Europa não vacinadas contra a Poliomielite.

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A contabilidade da progressão da doença é ainda mais assustadora. Estima-se que para cada caso de PFA devido a Polio – uma doença que costuma atacar na infância – há 200 outros que causam infecção branda, isto é, passam sem serem detectados. Se em Deir Al Zour há pelo menos dez casos confirmados, poderá haver muito mais crianças assintomáticas, porém infectadas, que continuam espalhando o vírus. A transmissão ocorre via matéria fecal, que contamina a água, e também por partículas dispersas através da mucosa oral.

Em resposta, o Governo de Damasco, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) iniciaram uma campanha de vacinação de emergência, utilizando a vacina oral. Esta utiliza um vírus atenuado e confere boa imunidade ao nível da mucosa intestinal.

A guerra civil, que há mais de dois anos e meio vem atingindo o país, interrompeu os programas de imunização. Antes disso, o sistema de saúde sírio era considerado bastante razoável, e 95% das crianças eram imunizadas contra a Poliomielite. Agora, a meta é imunizar cerca de 2,4 milhões de crianças tanto na Síria, quanto nos países onde há fluxo significativo de refugiados.

Para além das 110 mil mortes ocasionadas diretamente pelos conflitos armados, outros tantos terão sucumbido devido à desnutrição no país, às terríveis condições sanitárias, à fuga de profissionais de saúde, à destruição sistemática das unidades de saúde, à fome, e a falta de aquecimento e eletricidade. Mesmo sem falar nas doenças infecciosas, o acesso aos medicamentos e cuidados necessários para manter estáveis os doentes crônicos, acabam penalizando severamente a população.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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