Cientistas desenvolvem aplicativo de celular capaz de medir terremoto

terremotoUm grupo de cientistas norte-americanos e italianos anunciou que está desenvolvendo um sistema capaz de prever e detectar a ocorrência de terremotos através de um aplicativo de celular. Batizado de “My Quake” (“Meu Terremoto”, em inglês), o software é fruto de uma parceria entre pesquisadores das universidades da Califórnia, em Berkeley, e de Nápoles Federico II, em Nápoles. Idealizado ainda em 2008, o projeto foi apresentado no último dia 26/11, durante o VI Fórum Mundial de Ciência, no Rio de Janeiro.

Segundo o sismólogo Richard Allen, um dos idealizadores do projeto, o programa utiliza dados de GPS e algoritmos para identificar, em tempo real, tremores com magnitude acima de 5 graus (Escala Richter), num raio de 10 km. Visando aperfeiçoar o dispositivo, a equipe de cientistas objetiva agora ampliar sua sensibilidade para a identificação de abalos sísmicos de magnitude 3 graus, num raio de até 100 km.

“Se a intensidade e a duração dos terremotos puderem ser previstas com minutos de antecedência, isso já pode ser suficiente para que as pessoas procurem um lugar seguro. Nesses casos, segundos muitos vezes já podem fazer alguma diferença”, ressaltou.

Para Allen, sempre vai existir o “elemento surpresa” em situações como desastres naturais, mas dispositivos desta natureza podem orientar a população na hora de agir. “O que não podemos é usar programas assim para nos tornar mais complacentes e não fazer nada. As pessoas precisam ser treinadas e aprender como proceder nesses momentos, pois também é responsabilidade delas”, afirmou.

Na opinião do sismólogo, a previsão destes eventos não deverá criar reações de pânico na população, tendo em vista os modelos já implantados no Japão. Frente a isto, o especialista destacou o Chile como um dos países que melhor vem se preparando para o enfrentamento de terremotos, sobretudo, através de construções mais seguras e de uma população mais atenta.

“A implantação do nosso sistema ainda é um desafio, mas já há empresas interessadas. Fizemos testes no Japão e até 90% dos voluntários manifestaram estar dispostos a usar o aplicativo”, destacou.

Para o climatologista japonês Yuichi Ono – do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Ciência de Desastres (IRIDeS), criado na Universidade de Tohoku após o Tsunami de 2011 -, apenas as catástrofes naturais mais graves são reportadas às autoridades, deixando as menores de fora das estatísticas. Além da subnotificação, existe uma carência de estudos voltados para a caracterização do perfil das vítimas.

“São os governos locais e federal que devem coletar os dados. Os sistemas de alerta de terremoto e tsunami no Japão já melhoraram, menos pessoas morrem agora”, constatou. Atualmente, o IRIDeS conta com cem pesquisadores, incluindo integrantes atuando nas Filipinas, onde a passagem do Tufão Haiyan matou mais de 10 mil pessoas, deixando um rastro de destruição.

Conforme destacou Reiko Kuroda, pesquisadora da Universidade de Tóquio e membro do Conselho de Ciência do Japão, recentes incidentes como o Tsunami de março de 2011, que deixou milhares de mortos e danificou a usina nuclear de Fukushima, fizeram a população do país ficar mais cética em relação a contribuição da ciência. Esta perspectiva também é compartilhada por Ono, ao afirmar que a opinião pública perdeu totalmente a credibilidade na comunidade científica, por esta supostamente não ter sido capaz de minimizar os impactos da tragédia.

Entre 1980 e 2012, os desastres naturais apresentaram a seguinte distribuição por continente: 52% na Ásia, 27% na África, 12% na América do Norte, 7% na Europa e 2% na América do Sul. Além disso, os países onde houve maior número de mortos nesse período foram: Bangladesh, Índia, Honduras e Japão. Somente no ano passado, foram registrados 33 catástrofes relacionados ao clima nas Filipinas, entre erupções de vulcões, enchentes e terremotos. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo climatologista Gordon McBean, presidente do Conselho Internacional de Ciência (ICSU, sigla em inglês) e professor da West University, no Canadá

 Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s