Madagascar já soma 39 mortes por Peste

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Nas últimas semanas, pelo menos 39 pessoas morreram vítimas de Peste em Madagascar. Segundo nota divulgada pelo Ministério da Saúde, a epidemia vem se propagando na ilha por conta da invasão de roedores às residências, como consequência da destruição incontrolada das florestas.

“Atualmente, há uma epidemia de Peste em 5 dos 112 distritos do país. Oitenta e seis pessoas já contraíram a doença, das quais 39 morreram”, informou o órgão. Conforme relatou um porta-voz da Direção Geral de Saúde, cerca de 90 por cento dos casos são de Peste Pulmonar, mais grave que a forma mais comum (Peste Negra ou Peste Bubônica), e que pode causar a morte em três dias.

De acordo com a fonte, que pediu anonimato, as primeiras mortes foram registradas ainda em outubro, em um povoado a 150 km de Mandritsara, no norte da ilha. No mesmo mês, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) já havia alertado sobre a possibilidade de uma epidemia da doença no país que, no ano passado, matou 60 pessoas em toda a ilha.

Sem dúvidas, tal situação também é reflexo da atual crise na Saúde Pública do país, vinculada ao cenário de instabilidade política e econômica que se instaurou desde o golpe de Estado de 2009. “O risco da doença aumentou, dizem os especialistas, em meio à crescente pobreza e às condições insalubres na ilha, sobretudo nas prisões superlotadas. Os prisioneiros são, geralmente, mais afetados em surtos”, informou a edição de 11/12 do jornal britânico The Guardian.

Após o aviso emitido em outubro pelo CICV, as autoridades de saúde de Madagascar anunciaram um pacote de medidas sanitárias que, na prática, limitou-se à desratização do complexo prisional da capital Antananarivo, o qual abriga cerca de 3 mil detentos. Na ocasião, Christoph Vogt, chefe da delegação do CICV no país, chegou a afirmar que a eliminação de roedores nas unidades prisionais deveria ser apenas o ponto de partida para as ações de controle, sem, no entanto, perder o foco na comunidade.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Peste Pneumônica é, historicamente, “uma das doenças infecciosas mais mortais” do mundo, exibindo uma taxa de letalidade “sempre muito elevada”. A enfermidade é causada pela bactéria Yersinia pestis, a mesma que provocou a morte de mais de 25 milhões de pessoas na Europa, durante a epidemia de Peste Negra, no final da Idade Média.

A doença foi relatada pela primeira vez em Madagascar em 1989, sendo responsável por sucessivos surtos até a década de 1920, sobretudo na região portuária da ilha. A partir daí, os casos foram gradativamente desaparecendo da região costeira e se espalhando pelo interior do território, em áreas cuja altitude está acima dos 800 metros. Após um período latente que durou cerca de 60 anos, o país registrou uma série de graves surtos entre 1991 e 1998. No final da década de 90, especialistas em saúde pública chegaram a afirmar que, nos últimos 10 anos, a Peste parecia estar se espalhando novamente para as regiões costeiras de baixa altitude, tendo os homens adultos e crianças como suas principais vítimas.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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