Ministério da Saúde informa procedimentos a serem adotados para vigilância da Febre do Chikungunya no Brasil

fotonoticia_20140303144434_500A eclosão dos casos de Febre do Chikungunya na região do Caribe, considerando o potencial risco de disseminação para a América do Sul, levou o Ministério da Saúde a elaborar uma série de procedimentos a serem adotados para reforçar a vigilância da doença no Brasil.

Segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, sigla em inglês), somente na 9º Semana Epidemiológica (23/02 a 01/03), a região totalizou 507 casos prováveis ou confirmados, e mais de 7.800 casos suspeitos. A ilha de Martinica, um dos principais destinos turísticos no Caribe, lidera o ranking de notificações com 1.058 casos confirmados e 3.940 suspeitos. Casos da doença foram relatados nos seguintes territórios: Guiana Francesa, San Martín, Martinica, Guadalupe, Dominica, San Bartolomeu e Ilhas Virgens Britânicas.

Considerando o panorama atual, a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS-MS) recomenda às secretarias estaduais e municipais de saúde as seguintes orientações:

  • Divulgar aos profissionais de saúde as informações relativas aos aspectos clínicos da infecção pelo vírus Chikungunya, enfatizando a importância do diagnóstico diferencial para Dengue e outras viroses;
  • Divulgar os países com transmissão autóctone de Chikungunya – Benin, Burundi, Camboja, Camarões, República Centro Africana, Camarões, República do Congo, Timor Leste, Guiné Equatorial, Guiné, Índia, Indonésia, Itália, Quênia, Laos, Madagascar, Malawi, Malásia, França, Ilhas Maurício, Mayotte, Myanmar, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Reunion; Senegal, Seychelles, Singapura, África do Sul, Sudão, Taiwan, Tanzânia, Tailândia, Uganda, Vietnã, Zimbábue e Ilhas do Caribe.
  • Notificar imediatamente os casos suspeitos conforme orientação do Ministério da Saúde;
  • Coletar amostras dos casos suspeitos e encaminhá-las para diagnóstico ao Instituto Evandro Chagas (IEC), laboratório de referencia nacional, de acordo com os fluxos de envio de amostras estabelecidas pelo Lacen do estado;
  • Intensificar as ações de prevenção e controle vetorial em áreas urbanas e peri-urbanas, conforme estabelecidos nas Diretrizes Nacionais do Programa Nacional de Controle da Dengue.

Em caso de ocorrência de casos suspeitos em áreas restritas à presença de Aedes albopictus, as ações de bloqueio de casos devem ser realizadas com as mesmas medidas estabelecidas para o controle do Aedes aegypti;

O Chikungunya é uma doença febril aguda causada por um arbovírus (termo relacionado aos vírus transmitidos por vetores artrópodes, como por exemplos os mosquitos), o Vírus Chikungunya (CHIKV). Os vetores são mosquitos do gênero Aedes, onde os mais comuns são o Aedes aegypti, notório pela transmissão do Dengue, e o Aedes albopictus, relacionado aos últimos focos da doença identificados na Ásia, o qual se mostra extremamente resistente às condições adversas do ambiente, sendo capaz de reproduzir-se tanto no meio rural, quanto urbano.

O período de incubação do vírus varia de 2-12 dias e, na maioria das vezes, a doença é auto-limitante. Todavia, a mortalidade pode atingir até 0,4% em menores de 1 ano, podendo ser mais elevada em indivíduos com patologias associadas e outros grupos mais vulneráveis.

Clinicamente, os sintomas são febre alta (acima de 38,9°C), de início súbito e duração de vários dias a duas semanas, acompanhada de dor de cabeça, calafrios, dores musculares e articulares, náuseas e vômitos. Após a fase aguda, alguns indivíduos podem desenvolver sintomas articulares prolongados, tais como artrites, tenossinovites e incapacidades motoras, bem como demais síndromes articulares. Estudos recentes revelam que até 64% dos indivíduos infectados queixam-se de dor ou rigidez muscular um ano após a infecção, e em 12% os sintomas articulares persistem após 3 a 5 anos.

O termo Chikungunya, que significa “aqueles que se dobram”, tem origem no Swahili, um dos idiomas oficiais da Tanzânia, onde foi documentada a primeira epidemia da doença em 1953. Este termo faz referência à aparência encurvada dos pacientes em decorrência das fortes dores musculares e articulares.

Em 2004, foi registrada uma grande epidemia na costa do Quênia, dando início a um longo período de disseminação da doença por várias ilhas do Oceano Índico, Índia, e diversos países do Sudeste Asiático. Surtos na região ocorreram de modo frequente entre 2004 e 2008, comprovando a facilidade com que o vírus se espalha. Em 2006, um grande surto foi registrado em Andhra Pradesh, na Índia, mesma época em que casos autóctones foram descritos em diversos países europeus.

No Brasil, casos da doença foram detectados pela primeira vez em Agosto de 2010, sendo dois paulistanos adultos, os quais apresentaram os sintomas após uma viagem para a Indonésia, e uma paulistana que esteve na Índia pouco antes de adoecer. Em um artigo publicado em Fevereiro de 2012 na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Albuquerque e colaboradores descrevem o primeiro caso de infecção por Vírus Chikungunya diagnosticado no Rio de Janeiro. Tratava-se de um homem de 41 anos, natural do Rio de Janeiro, sem comorbidades prévias, e com história de viagem prévia à Ilha de Sumatra, na Indonésia.

Em março de 2012, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) lançou seu Guia de preparação e resposta ante a eventual introdução do Vírus Chikungunya na América (Acesse em: CHIKV_Spanish (1) – Tamanho: 7,87 MB).  Na ocasião, a iniciativa teve como proposta destacar a necessidade de desenvolver programas de monitoramento e prevenção em países onde ainda não há registro de circulação da doença. O trabalho foi elaborado em parceria com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americanos.

Segundo a OPAS, a proposta geral do documento é atuar como elemento facilitador para detecção e controle da doença. Conforme alertaram especialistas da entidade, existe um potencial risco de introdução e disseminação do vírus nas Américas, tendo em vista a ampla distribuição de vetores competentes e a grande circulação de turistas potencialmente infectados, bem como a falta de exposição prévia ao patógeno por parte da população americana.

Definição de caso suspeito de Chikungunya, estabelecida pela OPAS e adotada pelo MS

Paciente com febre de início súbito maior de 38,5% e artralgia ou artrite intensa com início agudo, não explicado por outras condições clínicas, sendo residente ou com história de viagem a áreas endêmicas ou epidêmicas, até duas semanas antes do início dos sintomas;

Orientações para notificação de caso suspeito de Chikungunya

Conforme Anexo II da Portaria MS N° 104 de 25 de janeiro de 2011, os casos suspeitos de Chikungunya devem ser comunicados/notificados em até 24 horas a partir da suspeita inicial. O profissional deve comunicar à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em até, no máximo, 24 horas. Caso a SMS não disponha de estrutura e fluxos para receber as notificações de emergências epidemiológicas dentro deste período, principalmente nos finais de semana, feriados e período noturno, a notificação deverá ser encaminhada à Secretaria Estadual de Saúde (SES). Caso a SMS ou SES não disponham de estrutura para receber as notificações de emergência epidemiológica, o profissional pode ligar gratuitamente para o Disque Notifica (0800-644-6645), serviço de atendimento eletrônico destinado aos profissionais de saúde. O atendimento funciona 24 horas por dia durante todos os dias da semana. Esta notificação também poderá ser feita por meio do correio eletrônico (e-mail) do CIEVS nacional, o E-notifica (notifica@saude.gov.br)

No RJ, a notificação de casos suspeitos pode ser feita junto à Coordenação de Informação Estratégica em Vigilância em Saúde (CIEVS RIO), através dos seguintes canais:

  • Disque-Notifica: (21) 3971-1708 e (21) 3971-1710, durante o horário comercial (de segunda a sexta, das 8h às 18 h);
  • Plantão CIEVS: (21) 9-8000-7575, nos finais de semana, feriados e período noturno;
  • E-Notifica: notifica@rio.rj.gov.br ou cievs.rio@gmail.com

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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