Vibrião colérico é isolado nas águas do Rio Madeira

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A confirmação da presença do vibrião colérico (agente causador da Cólera) nas águas do Rio Madeira, em Porto Velho, deixou em alerta as autoridades de saúde locais. A cheia que castiga Rondônia e afeta mais de 16 mil habitantes preocupa não só a Secretaria Estadual de Saúde, mas também os demais estados da região. O Rio Madeira é o principal afluente do Rio Amazonas e, durante o período de chuvas intensas, seu nível alcançou a marca histórica de 19,66 metros.

“A situação realmente preocupa. Estamos atentos e vamos manter um monitoramento. Em se tratando de cólera, não é só o aspecto da contaminação da água que deve ser observado, mas também a questão do deslocamento humano”, informou o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, Bernardino Albuquerque.

Na sexta-feira (28/03), uma equipe da Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas (SUSAM) chegou a Humaitá, município localizado à duas horas de Porto Velho, para monitorar, entre outros aspectos, a incidência  de doenças diarreicas e coletar amostras para análise laboratorial. Até agora, dois casos suspeitos de Cólera já estão sendo investigados pelas autoridades de saúde de Porto Velho.

“Encontramos o vibrião colérico em duas coletas, uma em Jaci-Paraná (a 90 km de Porto Velho) e outra na água que atingiu a Estrada de Ferro Madeira Mamoré (no centro da cidade). É preciso que a população adote certos cuidados”, afirmou o secretário de Saúde da capital de Rondônia, Domingos Sávio.

No entanto, apesar do alerta, diversas situações de risco têm sido identificadas na região. Em Porto Velho, áreas alagadas se transformaram em passeio turístico. Inundados com a cheia, a Justiça Federal, o Tribunal Regional Eleitoral e a Receita Federal de Rondônia, estão entre os órgãos que se tornaram “pontos turísticos” depois que a enchente tomou as ruas do centro da capital. A “excursão” pelas áreas alagada, em rabetas, custa R$ 5 por pessoa. “Dependendo do dia, ganho té R$ 400”, explicou um dos condutores de rabetas que leva “turistas” pelas ruas inundadas. Segundo ele, hoje, o lucro com a cheia é maior do que quando fazia o mesmo serviço na orla de Porto Velho.

Diante desta situação, equipes da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) foram enviadas à Rondônia para atuar em conjunto com a Secretaria Estadual de Saúde no intuito de coibir a propagação de doenças como Cólera e Leptospirose. Desde que as inundações começaram, pelo menos 17 casos de Leptospirose já foram confirmados, e há outros 40 casos suspeitos. “A informação que nós temos é que 500 mil cabeças de gado morreram na Bolívia, estão descendo o rio e podem chegar a Manaus. Esses animais mortos, dentro d’água, podem desenvolver a Cólera”, comentou Domingos Sávio.

Para atender às vítimas das enchentes, o Ministério da Saúde enviou a Rondônia, desde o início das chuvas, 6,25 toneladas de medicamentos e insumos divididos em 25 kits, capazes de atender a 37,5 mil pessoas em um mês. O estado também recebeu 750 mil frascos de hipoclorito, utilizado na purificação da água, 1.090 ampolas de soro para serem usadas em acidentes com animais peçonhentos e 193 kits de diagnóstico para leptospirose.

“A influência das usinas (hidrelétricas) na cheia é real, mas ela não pode ser culpada como um todo. É claro que esse fator se juntou com a quantidade de águas advinda dos Andes (Bolívia). O rio Madeira também tem muitos sedimentos que se decantam. A água fica mais difícil de escoar, com excesso de lama. A velocidade com que a água do rio Madeira chega em Porto Velho é outro fator influenciador”, comentou a engenheira florestal Raica Esteves Xavier, especialista em Piscicultura, mestra em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e professora de Aquicultura no Instituto Federal de Rondônia (IFRO).

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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