Estudo descreve cepa inédita do vírus Ebola circulante na Guiné e na Libéria

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Um importante estudo publicado nesta semana revelou ser inédita a cepa do vírus Ebola que circula na Guiné e na Libéria. Isto indica que o atual surto não se originou de focos de infecção conhecidos na África, conforme apontou a equipe de especialistas que coordenou o trabalho. Desde janeiro, a infecção deixou mais de cem pessoas mortas nos dois países.

“Esta análise sugere que esta cepa viral na Guiné, a ‘Guinean EBOV’, evoluiu em paralelo às cepas na República Democrática do Congo (RDC) e Gabão a partir de um recente ancestral comum”, explicou um dos coordenadores do estudo. “Portanto, não foi introduzida posteriormente na Guiné”, concluiu o autor, cujo trabalho foi publicado na última edição da revista New England Journal of Medicine.

Inicialmente, as autoridades de saúde pública haviam vislumbrado a possibilidade de, na Guiné, haver circulação viral de uma cepa procedente do Zaire, antigo nome da RDC. Segundo os autores, os primeiros casos da doença na Guiné teriam surgido provavelmente em dezembro passado ou talvez antes, e o vírus circulou por algum tempo sem ser detectado.

Outro aspecto abordado no estudo revelou que a nova cepa viral provocou menos casos de febre hemorrágica que as epidemias precedentes na África Central. No entanto, a taxa de mortalidade do vírus na Guiné chegou a 86% entre os primeiros casos confirmados e 71% entre os casos suspeitos.

“Os sintomas clínicos dos primeiros casos eram principalmente febre, vômitos e diarreia severa. Não detectamos hemorragia interna na maioria dos pacientes no momento da coleta de amostras que confirmaram a infecção”, indicaram os autores do estudo, que trabalhou com amostras de sangue de 20 pacientes internados na Guiné.

De acordo com a estirpe do vírus, a mortalidade pelo Ebola pode variar entre 30% a 90% dos casos. A propagação do vírus se dá pelo contato direto com pessoas infectadas. Não existe vacina nem tratamento específico para esta infecção.

Desde o início do ano, a Guiné vem enfrentando uma grave uma epidemia de febre hemorrágica viral, a qual já atingiu 168 pessoas, incluindo 108 mortes. A maioria dos casos foram confirmados como infecção por Ebola. Além disso, o vírus se propagou para a Libéria, onde foram confirmados 6 casos de um total de 26 suspeitos.

O vírus Ebola foi isolado pela primeira vez em 1976, no norte do antigo Zaire, atual República Democrática do Congo. No entanto, os primeiros casos na África Ocidental só foram registrados em 1994, na Costa do Marfim. Até então, haviam sido descritas cinco cepas virais diferentes.

Para os autores do estudo, o surgimento da sexta estirpe viral na Guiné “destaca o risco de outras epidemias nesta região da África Ocidental”. Eles anunciaram ainda que as pesquisas irão prosseguir para identificar a fonte animal do vírus.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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