Surto de Tracoma nas escolas de Guarapari (ES) preocupa pais e alunos

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Nas últimas semanas, um grande número de estudantes de Guarapari contraiu uma doença inflamatória dos olhos, denominada Tracoma. Somente na Escola Municipal Ana Rocha Lyra, pelo menos 150 crianças foram afetadas.

Diferentemente da Conjuntivite, que é de etiologia viral, o Tracoma é causado pela bactéria Chlamydia trachomatis, e a transmissão pode acontecer tanto pelo contato direto entre humanos, quanto pelo contato indireto através de objetos contaminados (toalhas, lenços, produtos de maquiagem, etc.).

Assim como a bactéria causadora da doença, a desinformação foi se espalhando, causando temor entre pais e alunos, que não sabiam o que fazer. Segundo uma mãe de aluno que não quis se identificar, na semana passada ela recebeu um bilhete da escola sobre um teste de Tracoma que seria feito nas crianças. “Estou preocupada, pois a escola não deu nenhuma informação e sabemos de crianças infectadas estudando normalmente”, revelou.

Quanto a isto, a Vigilância Epidemiológica do município informou, por meio de nota, a realização de uma reunião no último dia 19/05, na escola Ana Rocha Lyra. Lá, uma médica da Coordenação Regional de Saúde concedeu maiores esclarecimentos sobre o agravo, além dos trabalhos que vêm sendo realizados na tentativa de controlar o surto.

“Na ocasião foi mencionado o protocolo do Ministério da Saúde quando diz que, por tratar de uma doença crônica e endêmica, não há necessidade de isolamento dos casos, pois a doença está ocorrendo no local onde as pessoas já foram expostas ao agente etiológico e o contágio, se houve, já ocorreu”, informou o órgão.

Sinais e sintomas

O período de incubação da bactéria varia de 05 a 12 dias.

Nas fases iniciais, quando os sinais se manifestam, a doença assume a forma de uma ceratoconjuntivite folicular bilateral crônica com hiperplasia papilar (papilas aumentadas).

Os principais sintomas são sensação de corpo estranho nos olhos, prurido (coceira), lacrimejamento, irritação, ardor, secreção mucopurulenta, hiperemia (olhos vermelhos) e edema palpebral (inchaço).

A repetição das infecções provoca cicatrizes especialmente na conjuntiva que reveste a pálpebra superior, que a deformam. A evolução do quadro é marcada por complicações como o entrópio (margem da pálpebra voltada para dentro do olho), a triquíase (inversão dos cílios que tocam o globo ocular), a opacificação da córnea e a obstrução lacrimal.

O atrito provocado por essas deformações pode produzir úlceras na córnea responsáveis pela perda progressiva da visão e cegueira.

Tratamento

O tratamento é feito com antibióticos de uso local (colírios e pomadas oftálmicas), ou por via oral e deve ser introduzido tão logo tenha sido instituído o diagnóstico clínico, antes mesmo do laudo dos exames laboratoriais.

Recomendações

Lave sempre as mãos com água e sabão;

Estimule as crianças a cuidar da higiene pessoal e do lugar onde vivem;

Saiba que objetos de uso pessoal, como material escolar e toalhas, por exemplo, podem ser veículos de transmissão da bactéria;

Não se descuide das consultas médicas que devem ser realizadas a cada seis meses até ser determinada a cura definitiva da doença. O principal objetivo desse acompanhamento é evitar as recidivas da infecção que podem levar à cegueira.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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