Poliovírus é isolado em amostra de esgoto do Aeroporto Internacional de Viracopos (SP)

187207386No início da semana, a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou a detecção do vírus da Poliomielite em amostras de esgoto coletadas no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas-SP. No entanto, nenhum caso de infecção humana foi relatado no país, até o momento.

De acordo com uma nota divulgada pela agência, o material foi coletado em março, a partir do qual foi isolado o poliovírus selvagem tipo 1. Ainda segundo a organização, tal amostra seria similar a outra recentemente isolada de um caso na Guiné Equatorial. O comunicado também ressalta que o risco de o vírus encontrado no Brasil se espalhar internacionalmente é “muito baixo”, ao contrário do que ocorre com o vírus isolado na Guiné Equatorial, cujo risco é “elevado”.

Conforme apontou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS), Jarbas Barbosa, a detecção do poliovírus na amostra coletada em março foi um achado ocasional. Uma amostra coletada no mesmo local um mês depois já não acusava a existência do vírus.

O secretário explica que, desde que a doença foi erradicada no país, em 1994, não são recomendadas coletas sistemáticas de amostras para a pesquisa do vírus. Mesmo assim, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) continua monitorando dois pontos no Estado de São Paulo. Um desses pontos é o esgoto do aeroporto de Viracopos. “Foi como achar uma agulha num palheiro gigantesco”, afirmou o secretário. Nessas amostras, são pesquisados diversos tipos de vírus, além de componentes químicos.

Segundo Barbosa, a situação da doença no país é monitorada por meio da garantia da cobertura vacinal e também pela investigação dos casos de Paralisia Flácida Aguda (PFA). Trata-se de uma condição clínica que pode ser provocada por vários tipos de vírus, inclusive o poliovírus. Portanto, casos suspeitos são investigados e submetidos à pesquisa de poliovírus nas fezes.

“Não teve aumento além do esperado (de Paralisia Flácida Aguda), nem detecção de poliovírus. Por isso, consideramos que o achado não tem nenhum significado sanitário importante”, sentenciou Barbosa.

Ainda que o achado tenha sido ocasional, foi importante notificar a OMS para que as autoridades de saúde da Guiné Equatorial sejam comunicadas sobre a necessidade de reforçar a vacinação, sobretudo, para as pessoas que saem do país, explicou o secretário.

O número de casos de Poliomielite no mundo caiu mais de 99% desde 1988, passando de 350 mil a 416 casos notificados em 2013. Esta diminuição só foi possível graças ao esforço global para erradicar a doença, segundo lembrou a OMS. No Brasil, o último caso havia sido registrado em 1989. Nos últimos anos, o país vem mantendo elevadas taxas de cobertura vacinal – acima de 95%.

No entanto, em maio deste ano, a organização lançou um alerta decretando “estado de emergência de saúde pública” após o registro de casos, a partir de janeiro, em diversos países endêmicos e não endêmicos para a doença. Desde o início do ano até o último dia 25/06, haviam sido registrados 106 casos de Poliomielite no mundo, sendo 93 em áreas endêmicas e 13 em regiões não endêmicas. Os países onde houve registro de casos são: Paquistão (83), Afeganistão (06), Guiné Equatorial (05), Nigéria (04), Camarões (03), Iraque (02), Síria (01), Etiópia (01) e Somália (01).

“É importante esclarecer que esse achado não significa qualquer mudança na situação epidemiológica do Brasil ou ameaça à eliminação da doença. O Ministério da Saúde reforça a importância de manutenção da cobertura vacinal adequada e da vigilância ativa para todos os municípios. Com o aumento dos deslocamentos internacionais, é esperado que pessoas portando agentes infecciosos presentes em outras partes do mundo circulem no Brasil”, acrescentou o órgão.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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