A Poliomielite e o Terrorismo

Polio

 

A Poliomielite foi um dos principais problemas de saúde pública que afetaram a população infantil até a década de 80. Com o advento da vacina, houve uma verdadeira revolução na epidemiologia da doença, marcada pela redução significativa das taxas de incidência em quase todos os países. No entanto, a ação de grupos terroristas em determinadas regiões da África e da Ásia conduziu a um retrocesso neste processo, o que ameaça o efetivo controle da doença no mundo.

Mesmo antes da descoberta do vírus, em 1840, a doença vem causando paralisia e deformações no corpo de milhares de crianças ao redor do mundo. Desde que a primeira vacina eficaz contra a doença entrou em cena, 110 anos após a identificação do vírus, houve uma verdadeira revolução na saúde. Em pouco mais de três décadas, uma campanha internacional liderada pela organização de ajuda humanitária Rotary e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), reduziu a transmissão do agravo em 99%.

Todavia, existem duas regiões no mundo onde a Poliomielite nunca foi erradicada: as áreas tribais na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão; e no norte da Nigéria. A primeira é dominada pelo grupo fundamentalista islâmico Talibã, e a segunda pelo grupo extremista Boko Haran, os quais têm reprimido violentamente a atuação de equipes de vacinação, nos últimos anos.

Além disso, a violência aumentou e a situação foi agravada desde que o Serviço de Inteligência Norte-Americano (CIA – Central Intelligence Agency) forjou uma campanha de vacinação contra a Poliomielite no Paquistão, para realizar as investigações que resultaram na morte do terrorista mais procurado do mundo, Osama Bin Laden. Tal conduta gerou grande insatisfação entre os países árabe, sobretudo, aliados dos Estados Unidos.

Nos anos seguintes, os reflexos desta ação logo foram sentidos no Paquistão. Em 2011, ano em que o terrorista foi morto, haviam sido detectados apenas 11 casos de Poliomielite no país. Neste ano, foram 104 ocorrências até o mês de agosto.

Algo semelhante acontece na Nigéria. A influência de grupos terroristas ameaça sensivelmente as ações de prevenção e controle da Pólio. Tradicionalmente, seus lideres e integrantes rejeitam tudo àquilo que consideram ocidental, incluindo vacinação e educação. Logo, o grupo tem autoria em diversos ataques contra centros de imunização. No ano passado, nove funcionários responsáveis pela campanha morreram e, neste ano, três foram sequestrados.

Fora de controle na Nigéria, o vírus logo se espalhou para os campos de refugiados na Somália, Quênia e Etiópia. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 10 anos, o número de casos pode chegar a 200 mil no mundo inteiro. A Poliomielite é uma das doenças erradicadas em vários países que voltam a assustar a humanidade.

Até semana que vem,

Equipe CIEVS RIO.

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