Malária

ATUALIZADO EM 04/12/2017

A malária é reconhecidamente um grave problema de saúde pública em todo mundo, fortemente associada à pobreza, estima-se que a cada ano há 219 milhões de novos casos, com 660 mil mortes, principalmente entre crianças menores de 5 anos e mulheres grávidas. Cerca de 80% dos casos estão concentrados em 17 países e 80% dos óbitos estão concentrados em 14 países. Segundo a OMS, em 2016, 90% dos casos estavam na Região da África, seguido pelo Sudeste Asiático (3%) e Região Oriental do Mediterrâneo (2%). Entre 2014 e 2016 houve um aumento substancial de casos na Região das Américas e em menor proporção no Sudeste Asiático, Pacífico Ocidental e Regiões Africanas.

Quanto a mortalidade, o relatório da OMS aponta que em todas as regiões houve redução quando comparada a 2010, exceto a região Oriental do Mediterrâneo, onde permaneceram inalteradas. O Sudeste Asiático (44%), a África (37%) e a região das Américas (27%) apresentaram o maior declínio. Porém, entre 2015 e 2016, não houve alteração na taxa de mortalidade nas regiões do Sudeste Asiático, Pacifico Ocidental e África, com aumento na região Oriental do Mediterrâneo e Américas (WHO, 2017).

Figura 1. Mapa Global segundo transmissão de Malária, CDC.

Mapa Global malária CDC

Fonte: https://www.cdc.gov/malaria/about/distribution.html

No Brasil, a região amazônica (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão) é considerada área endêmica. Os casos registrados fora da região amazônica são em mais de 80% importados dos estados pertencentes a área endêmica, outros países amazônicos, continente africano e Paraguai, mas existe transmissão residual de malária no PI e PR e em áreas de Mata Atlântica nos estados de SP, MG, RJ e ES. Os casos ocorrem com maior frequência em áreas rurais ou indígenas, somando 86% dos casos.

Figura 2. Regiões do Brasil segundo transmissão de Malária, CDC.

Regiões do Brasil segundo transmissão de Malária, CDC

Fonte:https://www.cdc.gov/malaria/images/map/brazil_3.25_updatedrec.jpg

Dados do Ministério da Saúde revelam um aumento no número de casos na Região Amazônica, cerca de 45% quando comparamos 2016 e 2017 (Figura 3). Já na Região Extra- Amazônica foi observada uma leve redução no número de casos (Figura 4).

Figura 3. Casos de Malária notificados, Região Amazônica, 2015 a Set 2017.

grafico malaria mal jan 2015 set 2017

Fonte: https://goo.gl/1RJX5j

Figura 4. Casos confirmados de Malária, Região Extra – Amazônica, 2016 a Set 2017.

malaria ms extra amazonica jan 2015 a set 2017

Fonte: https://public.tableau.com/profile/mal.ria.brasil#!/vizhome/Boletim_RegiaoExtra-Amazonica_Compartilhado_2017_10_17/SrieHistrica

A sazonalidade da malária é diferente em cada estado da Região Amazônica e está relacionada com precipitação, temperatura e nível da água que são fatores que afetam a proliferação de mosquitos nos criadouros.

A fêmea do mosquito do gênero Anopheles é responsável pela transmissão da doença, causada por uma das quatro espécies de Plasmodium sp. O Plasmodium vivax (responsável por 77% das infecções nas Américas) e o P. falciparum são os mais comuns, enquanto que o P. malariae e P. ovale são formas mais raras. No Brasil, há circulação de três espécies em seres humanos: P. vivax, P.falciparum e P. malariae. Segundo informações do Ministério da Saúde, nos anos 2000, o P. falciparum foi detectado em 21% dos casos, caindo para 12% em 2016 (13.828 casos).

Os sintomas comuns são febre precedida de calafrios, sudorese profusa, fraqueza e cefaleia, e acontecem de forma cíclica em intervalos diferentes para cada espécie de plasmodio infectante. Em alguns pacientes, podem aparecer sintomas como náuseas, vômitos, astenia, fadiga e anorexia dias antes. Se não tratada, a infecção com P. falciparum tem o maior potencial de levar o individuo a morte, com complicações renais e cerebrais.

Desde os anos 2000 houve uma redução significativa no número de casos, no entanto, nos anos de 2015 e 2016 verificou-se um aumento no número de casos e aumento na proporção de casos infectados pelo P. falciparum em comparação aos infectados pelo P. vivax na Região das Américas, principalmente em países como Colômbia, Equador e Venezuela.

Historicamente o aumento da transmissão está relacionado a fenômenos ambientais, porém, fatores sociais e econômicos como mineração e aumento no fluxo migratório dentro e entre países, em áreas com ecossistemas favoráveis, contribuíram para o aumento no número de casos nos últimos 2 anos.

Figura 3. Projeção da incidência de malária no mundo, 2000 a 2015, WHO.

Projeção da incidência de malária no mundo, 2000 a 2015, WHO
Fonte: http://who.int/gho/malaria/malaria_003.jpg?ua=1

No alerta epidemiológico publicado em fevereiro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) chama atenção para o risco de surtos e aumento de casos nas regiões endêmicas, bem como a reintrodução da doença em áreas onde a transmissão foi interrompida anteriormente, e disseminação de cepas de P. falciparum resistentes a antimaláricos.

Entre as medidas de prevenção da doença está o controle vetorial com uso de mosquiteiros impregnados com inseticidas e a pulverização no interior das casas, além do controle larval. A resistência dos mosquitos aos inseticidas a base de DDT e piretróides tem aumentado, exigindo esforços na detecção da resistência a fim de garantir que os métodos de controle mais eficazes estão sendo utilizados.

Para saber mais:

Relatório de Malária 2017, WHO

Principais Fatos – PAHO

Resistência a inseticidas

OMS convoca países a reforçarem prevenção contra malária e salvar vidas

Ministério da Saúde lança campanha para combate à malária

Fontes:

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/662-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/malaria/11343-informacoes-tecnicas

2017-feb-15-phe-epi-alert-malaria

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/28222-ministerio-da-saude-lanca-campanha-para-combate-a-malaria

http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/259492/1/9789241565523-eng.pdf?ua=1

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