Malária

ATUALIZADO EM 26/04/2017

A malária é reconhecidamente um grave problema de saúde pública em todo mundo, fortemente associada à pobreza, estima-se que a cada ano há 219 milhões de novos casos, com 660 mil mortes, principalmente entre crianças menores de 5 anos e mulheres grávidas. Cerca de 80% dos casos estão concentrados em 17 países e 80% dos óbitos estão concentrados em 14 países.

Figura 1. Mapa Global segundo transmissão de Malária, CDC.

Mapa Global malária CDC

Fonte: https://www.cdc.gov/malaria/about/distribution.html

No Brasil, a região amazônica (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão) é considerada área endêmica. Os casos registrados fora da região amazônica são em mais de 80% importados dos estados pertencentes a área endêmica, outros países amazônicos, continente africano e Paraguai, mas existe transmissão residual de malária no PI e PR e em áreas de Mata Atlântica nos estados de SP, MG, RJ e ES. Os casos ocorrem com maior frequência em áreas rurais ou indígenas, somando 86% dos casos.

Tabela 1. Número de casos de malária notificados no Brasil, 2016

Estado Casos
Acre 35.175
Amazonas 49.148
Amapá 12.273
Maranhão 766
Mato Grosso 519
Pará 14.493
Rondônia 7.328
Roraima 8.969
Tocantins 23
Alagoas 2
Bahia 20
Ceará 15
Distrito Federal 28
Espírito Santo 48
Goiás 45
Minas Gerais 54
Mato Grosso do Sul 5
Paraíba 3
Pernambuco 18
Piauí 23
Paraná 16
Rio de Janeiro 51
Rio Grande do Norte 4
Rio Grande do Sul 10
Santa Catarina 15
Sergipe 5
São Paulo 139
Brasil 129.195

Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/28222-ministerio-da-saude-lanca-campanha-para-combate-a-malaria

 Figura 2. Regiões do Brasil segundo transmissão de Malária, CDC.

Regiões do Brasil segundo transmissão de Malária, CDC

Fonte: https://www.cdc.gov/malaria/images/map/brazil_3.25_updatedrec.jpg

A sazonalidade da malária é diferente em cada estado da Região Amazônica e está relacionada com precipitação, temperatura e nível da água que são fatores que afetam a proliferação de mosquitos nos criadouros.

A fêmea do mosquito do gênero Anopheles é responsável pela transmissão da doença, causada por uma das quatro espécies de Plasmodium sp. O Plasmodium vivax (responsável por 77% das infecções nas Américas) e o P. falciparum são os mais comuns, enquanto que o P. malariae e P. ovale são formas mais raras. No Brasil, há circulação de três espécies em seres humanos: P. vivax, P.falciparum e P. malariae. Segundo informações do Ministério da Saúde, nos anos 2000, o P. falciparum foi detectado em 21% dos casos, caindo para 12% em 2016 (13.828 casos).

Os sintomas comuns são febre precedida de calafrios, sudorese profusa, fraqueza e cefaleia, e acontecem de forma cíclica em intervalos diferentes para cada espécie de plasmodio infectante. Em alguns pacientes, podem aparecer sintomas como náuseas, vômitos, astenia, fadiga e anorexia dias antes. Se não tratada, a infecção com P. falciparum tem o maior potencial de levar o individuo a morte, com complicações renais e cerebrais.

Desde os anos 2000 houve uma redução significativa no número de casos, no entanto, nos anos de 2015 e 2016 verificou-se um aumento no número de casos e aumento na proporção de casos infectados pelo P. falciparum em comparação aos infectados pelo P. vivax na Região das Américas, principalmente em países como Colômbia, Equador e Venezuela.

Historicamente o aumento da transmissão está relacionado a fenômenos ambientais, porém, fatores sociais e econômicos como mineração e aumento no fluxo migratório dentro e entre países, em áreas com ecossistemas favoráveis, contribuíram para o aumento no número de casos nos últimos 2 anos.

Figura 3. Projeção da incidência de malária no mundo, 2000 a 2015, WHO.

Projeção da incidência de malária no mundo, 2000 a 2015, WHO
Fonte: http://who.int/gho/malaria/malaria_003.jpg?ua=1

No alerta epidemiológico publicado em fevereiro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) chama atenção para o risco de surtos e aumento de casos nas regiões endêmicas, bem como a reintrodução da doença em áreas onde a transmissão foi interrompida anteriormente, e disseminação de cepas de P. falciparum resistentes a antimaláricos.

Entre as medidas de prevenção da doença está o controle vetorial com uso de mosquiteiros impregnados com inseticidas e a pulverização no interior das casas, além do controle larval. A resistência dos mosquitos aos inseticidas a base de DDT e piretróides tem aumentado, exigindo esforços na detecção da resistência a fim de garantir que os métodos de controle mais eficazes estão sendo utilizados.

Para saber mais:

Principais Fatos – PAHO

Resistência a inseticidas

OMS convoca países a reforçarem prevenção contra malária e salvar vidas

Ministério da Saúde lança campanha para combate à malária

Fontes:

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/662-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/malaria/11343-informacoes-tecnicas

2017-feb-15-phe-epi-alert-malaria

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/28222-ministerio-da-saude-lanca-campanha-para-combate-a-malaria

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