Meningite

Atualizado em 03/05/2017

O termo meningite refere-se a um processo inflamatório das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal (meninges). A meningite pode acontecer por diferentes causas, infecciosas ou não. Do ponto de vista de saúde pública, da preocupação com os agravos que acometem a população, as meningites causadas por vírus e bactérias são as mais importantes e em menor grau as causadas por fungos.

As causadas por vírus são mais frequentes, porém menos graves, os principais agentes são os Enterovírus sp, incluindo cepas de Poliovírus sp., Echovírus sp., Coxsackie sp. e outros. A transmissão ocorre via fecal-oral predominantemente, mas também por via respiratória.

As bacterianas são as mais graves, em especial as causadas pela Neisseria meningitidis (meningococo). A transmissão ocorre através das vias respiratórias, por gotículas e secreções da nasofaringe, de pessoa a pessoa com contato próximo (residentes da mesma casa, pessoas que compartilham o mesmo dormitório ou alojamento, comunicantes de creche ou escola) ou contato direto com secreções respiratórias de um doente.

Os principais agentes bacterianos são:
Neisseria meningitidis (meningococo): possui diversos sorogrupos, sendo os mais frequentes o A, B, C, W e Y. Causa a Doença Meningocócica. O meningococo é a principal causa de meningite bacteriana no país, sendo o sorogrupo C o mais frequente.

Streptococcus pneumoniae (pneumococo): possui mais de 90 sorotipos, apenas 16 deles são responsáveis por aproximadamente 90% de doença invasiva.

Haemophilus influenzae: se encontra nas vias respiratórias de forma saprófita, podendo causar infecções assintomáticas ou doenças não invasivas, tais como bronquite, sinusites e otites, tanto em crianças como em adultos.

As meningites causadas por fungos são as menos comuns, porem são consideradas graves, tendo como principal agente o Cryptococcus neoformans, a transmissão ocorre por inalação.

As manifestações clínicas são em geral febre, cefaleia, náusea, vômito, rigidez de nuca, prostração, confusão mental, sinais de irritação meníngea como Kernig e Brudzinski, além de petéquias. Nas meningites bacterianas e fúngicas, podem aparecer complicações como distúrbio de linguagem, retardo mental, anormalidade motora e distúrbios visuais.

Crianças de até nove meses poderão não apresentar os sinais clássicos de irritação meníngea, no entanto, outros sinais e sintomas podem facilitar no diagnóstico, tais como febre, irritabilidade ou agitação, choro persistente, grito meníngeo (criança grita ao ser manipulado) e recusa alimentar, acompanhado ou não de vômitos, convulsões e abaulamento da fontanela.

É uma doença que faz parte da lista nacional de notificação compulsória, e no Estado do Rio de Janeiro a notificação deve ser imediata, assim como os óbitos e situações de surtos e/ou aglomerados de casos. Os casos suspeitos ou confirmados de meningite devem ser notificados às autoridades públicas, por todos os profissionais de saúde, sejam da assistência, vigilância, ou laboratórios públicos e privados, através de contato telefônico, fax, e-mail ou outras formas de comunicação.

Em caso de surto domiciliar ou institucional (escolas, creches, alojamentos, presídio e unidades de saúde) todos aqueles que tiveram contato prolongado ou íntimo com um paciente confirmado ou suspeito de meningite bacteriana por Neisseria meningitidis ou  Haemophilus influenzae devem iniciar tratamento quimioprofilático, de acordo com as orientações das autoridades sanitárias. Essa medida de controle é a mais eficaz para evitar casos secundários, reduzindo em 95% a chance de infecção. Portanto, é importante comunicar as escolas e creches no momento do diagnóstico médico de crianças, após a alta não existe perigo de contaminação e não há necessidade de fechar estabelecimentos, pois o agente causador da doença não sobrevive no ar ou nos objetos.

No Brasil, a meningite é uma patologia endêmica, com ocorrência de surtos esporádicos. Os coeficientes de incidência têm se mantido estáveis nos últimos anos, com aproximadamente 1,5 a 2,0 casos para cada 100.000 habitantes. A meningite bacteriana acomete indivíduos de todas as faixas etárias, porém aproximadamente 40 a 50% dos casos notificados ocorrem em crianças menores de 5 anos de idade. No entanto, com a introdução da vacina antimeningocócica C conjugada em 2010, houve redução da incidência da doença meningocócica nas faixas etárias de menores de 1 ano e de 1 a 4 anos. Nos surtos e epidemias, observam-se mudanças nas faixas etárias afetadas, com aumento de casos entre adolescentes e adultos jovens. A frequência de casos com manifestações virais se eleva nos meses do outono e da primavera. O aumento de casos pode estar relacionado a surtos de varicela, sarampo, caxumba e também a eventos adversos pós-vacinais.

Atualmente a África é a região com maior número de casos no mundo, principalmente na região sub-Saariana, conhecida como “cinturão da meningite” composto pelos países Benin, Burkina Faso, Chade, Níger, Nigéria e Mali, onde epidemias de grande escala ocorrem continuadamente. Na Nigéria, os casos podem ocorrer durante todo o ano e aumentar durante a estação seca, a doença meningocócica representa uma ameaça há, pelo menos, 100 anos. O mapa abaixo representa a distribuição de casos pelo território da Nigéria.

Figura 1: Mapa da Nigéria mostrando áreas afetadas por meningite meningocócica na semana epidemiológica 1 a 13 de 2016 e 2017.

Casos Meningite Africa

Legenda: Cases = Casos; LabCfd = Casos confirmados laboratorialmente; LGAs affected = área do governo local afetada; states affected = estados afetados.

Fonte: http://www.ncdc.gov.ng/reports/39/2017-april-week-15

Viagens e migrações internacionais podem facilitar a propagação intercontinental da doença, na medida em que os indivíduos podem ter exposição à sorogrupos de meningococos não encontrados em seus países. Na Arábia Saudita, por exemplo, os surtos em eventos religiosos levaram o governo a exigir que os peregrinos do Hajj e Umrah recebam uma dose da vacina meningocócica tetravalente – que protege contra os sorogrupos A, C, Y e W135 (disponível apenas na rede particular) – pelo menos 10 dias antes de entrarem no país. É importante que viajantes procurem orientação antes da viagem e verifiquem a necessidade de serem vacinados.

No que diz respeito à prevenção, as simples ações de lavar as mãos, não compartilhar itens de uso pessoal, quando tossir ou espirrar cobrir a boca, evitar aglomerações, manter os ambientes ventilados e limpos, ajudam a evitar a propagação da doença. Além disso, a vacinação é considerada a forma mais eficaz na prevenção da doença na forma bacteriana. As vacinas disponíveis contra as formas mais prevalentes fazem parte do calendário nacional de vacinação e estão disponíveis para crianças e jovens (apenas Meningocócica C) em todas as unidades básicas de saúde. Veja o calendário para crianças e adolescentes

São elas:
Vacina BCG: protege contra as formas graves da tuberculose e nos casos de meningite.
Vacina meningocócica conjugada sorogrupo C: protege contra a Doença Meningocócica causada pelo sorogrupo C;
Vacina pneumocócica 10-valente: protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite.
Pentavalente: protege contra as doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo b, como a meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B.

Fontes:
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10929&Itemid=645
http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/abril/06/tabela-obitos-e-incidencia-de-meningite-2010-a-2016.pdf
Guia de Vigilância em Saúde
Boletim Epidemiológico SVS 

Saiba mais:
Nigeria Centre for Disease Control
Healthmap